Linhares Jr.

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Os parasitas

O filme Parasita é digno de todas as estatuetas que ganhou no Oscar 2020. Ele permite análises diversas, a começar pelo natureza do ser humano, a futilidade dos ricos e a inveja dos muito pobres.

A película mostra a vida das pessoas que vivem em porões na Coreia do Sul. São compartimentos criados para proteção em caso de ataque com bombas da vizinha Coreia do Norte. Mostra, também, o luxo dos que vivem em cima, dos que acumularam e concentraram as riquezas com o crescimento da Coreia capitalista.

Se os ricos são fúteis, gastando dinheiro à toa com crianças mimadas, perturbadas e sem limites, pobres tramam nos porões contra os pobres e ricos, inventando mentiras, passando a perna nos semelhantes e invejando a riqueza alheia, ao ponto de fraudar, roubar e matar para tomar o lugar dos outros.

Uma família de parasitas aplica um golpe em uma família de ricos e ingênuos, a começar pelo professor de Inglês da mocinha rica, indicado por um amigo, com diploma falsificado.

O falso professor, engenhoso, conquistou o coração da jovem, inventou que conhecia uma arte-terapeuta (sua irmã) para o menino encapetado, armaram para demitir o motorista (puseram uma calcinha no carro, para o dono a achar que o chofer estava transando dentro do veículo), colocando seu pai no lugar, e por fim descobriram que a governanta era alérgica a pêssegos, provocaram alergia na mulher e disseram à patroa que ela estava com tuberculose (doença de pobre na Coreia), empregando a mãe no lugar.

Todos passaram a trabalhar na casa, sem que os patrões soubessem do vínculo familiar deles e das armações que fizeram para derrubar os outros empregados.

Os parasitas falsificavam documentos, montavam histórias de vida e treinavam as falas para engabelar os ricos ingênuos, cujo dinheiro pagava tudo o que eles queriam e camuflava as infelicidades e carências afetivas.

A antiga governanta também tinha seus pecadinhos. Mantinha o marido escondido em um porão da casa dos ricos, sem que estes soubessem da existência do espaço, um bunker criado pelo ex-proprietário para fugir da guerra e dos credores. Quando todos estavam dormindo, o marido parasita saía por uma porta secreta e se refestelava com as comidas e bebidas da casa, aproveitando ainda para transar com a governanta.

O filme revela a farsa da educação, porquanto, estudando nas melhores escolas do país, os filhos dos ricos recebem reforços de falsários, que recorrem ao Google para colher informações básicas e enganar os incautos.

Há mortes também, mas contar o final pode frustrar quem for assistir ao filme.

Veja e tire suas conclusões. Só sei que ser rico ou pobre não define o caráter de ninguém, mas tenha muito cuidado com a cultura do coitadismo que impera no mundo.

Miguel Lucena é delegado da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), jornalista e escritor.

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O Maranhão real

Deputado estadual Adriano Sarney fala sobre recentes descobertas da mídia nacional sobre o fracasso da gestão de Flávio Dino no Maranhão.
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Romper com o silêncio

Escrevi no final de semana passado um artigo sobre o mais praticado tipo de preconceito no Brasil, o machismo. O texto faz parte de uma série que trato dos problemas do preconceito e da discriminação de gênero, raça, classe social, opção sexual, religião e outros em nossa sociedade. Por coincidência, no dia em que foi publicado, sábado, dia 25, foi também a data do trágico assassinato de Bruna Lícia e de José William, perpetrado pelo soldado PM Carlos Eduardo. O caso, que obteve ampla repercussão, foi polêmico tanto pela violência quanto pela motivação do autor. Segundo psicólogos ouvidos pela imprensa, uma série de fatores mentais poderiam ter levado o suspeito a tomar tal medidas. No entanto, na raiz do crime está o machismo encrustado em nossa cultura.

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Machismo

Assim como outros temas abordados nesta série de artigos relacionados ao preconceito, a problemática da desigualdade de gêneros é ligada à uma forte crença, difícil de combater. Na raiz do preconceito contra as mulheres está a cultura machista impregnada na sociedade brasileira, tanto nos homens quanto em algumas mulheres. Pode ser consciente, mas também inconsciente. É algo que as pessoas “aprendem” em casa, na escola e com os amigos, muitas vezes com a colaboração da grande mídia e da internet.

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Incautos preconceituosos

Por sentir na “pele” a rotulação atribuída ao meu sobrenome, a dificuldade de ser ouvido por alguns, de construir uma história própria e de expor ideias de forma imparcial, me interesso e estudo a problemática do PRECONCEITO de perto. O desejo de trabalhar pelo meu estado, o Maranhão, me faz aceitar e encarar o jogo político rasteiro de estereótipos arquitetados por profissionais do marketing e difundidos para as massas. Combater qualquer forma de prejulgamento é uma luta árdua, como já venho relatando em vários artigos publicados nesta coluna. No entanto, não existe nada mais revoltante do que o preconceito racial, principalmente no Brasil, um país mestiço e que tem na diversidade um de seus maiores ativos.

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Para que serve a liberdade de expressão

Assisti ao famigerado especial de Natal: algumas boas piadas avulsas ao largo de um enredo centrado em achincalhar Jesus Cristo, a Virgem Maria e Deus, que figura como um sujeito asqueroso e despudorado. A despeito do material ofensivo a muitos cristãos, não pode ser censurado.

Para que serve a liberdade de expressão?

Quando um indivíduo se expressa livremente, ele materializa seu pensamento, sentimento, emoções, dúvidas, crenças… —é seu direito, dado pela própria existência, que nenhuma proibição conseguiria mudar.

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Tirar Porta dos Fundos do ar é tudo o que o Porta dos Fundos quer

Mais do que um filme, o lixo estúpido feito para estúpidos do Porta dos Fundos é um experimento social para pintá-los como arautos da liberdade de expressão. A última coisa que um Duvivier é
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Por que o socialismo fracassou?


O socialismo é a Grande Mentira do século XX. Embora prometesse a prosperidade, a igualdade e a segurança, só proporcionou pobreza, penúria e tirania. A igualdade foi alcançada apenas no sentido de que todos eram iguais em sua penúria.

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Uma análise político-capitalista do Brasil

Entende-se por capital tudo aquilo que é empregado na produção de bens de consumo. Entende-se por economia o conjunto de ações individuais intencionais e empreendedoras empregadas num universo de recursos escassos e futuro incerto visando produção ou consumo, ciente de que tudo que é consumido precisou ser previamente produzido.

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Capitalismo “responsável”? Responsabilidade de quem?

Como dita a moda, agora querem “reinventar a roda econômica”, com roupas teóricas mais florais, plastificadas e com amarrações… “inovadoras”…
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Fundação Palmares: e eu com isso?

Criar criar
estrelas sobre o camartelo guerreiro
paz sobre o choro das crianças
paz sobre o suor sobre a lágrima do contrato
paz sobre o ódio
criar
criar paz com os olhos secos
(Agostinho Neto)

Quando, em 2015 – sobressaltado após assistir a uma vergonhosa manifestação de jovens militantes do movimento negro dentro de uma universidade pública –, resolvi voltar a falar sobre racismo no Brasil, minha preocupação não era ideológica. Explico: eu não estava interessado (como ainda não estou) em disputar um espaço político com os movimentos organizados, tampouco em lhes menosprezar a importância. Minha crítica está concentrada naquilo que José Correia Leite chamou de “correria atrás de política” ou na submissão interpretativa a teorias pós-modernas que pouco têm a ver com os reais problemas brasileiros relacionados aos negros. Essa, evidentemente, não é uma constatação minha e nem é nova; outros, verdadeiramente representantes na luta histórica do movimento negro, fizeram essa crítica antes de mim. Abdias Nascimento, por exemplo, dissera outrora: “a esquerda é cega, surda e muda no que se refere aos problemas específicos do negro, e despreza sua tradição cultural. (…) Para eles também, ‘todos são iguais perante a lei’… do proletariado. Pobre de quem quiser ser diferente!”

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Economia

Quanto custa a máquina pública brasileira?

Quem acompanhou o Millenium Fiscaliza ao longo de 2019 notou que estivemos engajados em fiscalizar os gastos excessivos do Estado brasileiro que resultam no grande inchaço de toda máquina pública. Esses gastos, muitas vezes absurdos, abusivos e inexplicáveis, são grande parte dos problemas que temos hoje para investir nas áreas que nos fazem sentir mais desprotegidos como saúde, educação e segurança. Por isso, para fechar o ano, optamos por trazer especificamente quanto custa essa máquina para que não nos esqueçamos de fiscalizar constantemente o poder público.

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