Linhares Jr.

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A quase morte mais para morte do que para quase*

“O gosto da morte na minha boca deu-me perspectiva e coragem”. Nietzsche

No dia 14 de julho fui submetido às pressas a uma cirurgia cardíaca. Tive uma espécie de ruptura da principal via cardíaca. Risco de morte absurdo e aumentando a cada hora sem a intervenção cirúrgica. Sentia medo de morrer, tinha orgulho da vida breve que vivi e lamentava muito pelo meu filho que iria crescer sem mim. Chorei, sorri, refleti.

No último dia 14 de setembro voltei ao trabalho. Nesse fim de semana, mais especificamente no dia 19 de setembro, é datado o Dia Mundial de Conscientização da Dissecção de Aorta (o problema que tive). Acredito que passados dois meses de muita dor e angústia e em meio ao simbolismo do calendário, este é o momento mais pertinente para escrever sobre o assunto.

Pois bem, desde o nascimento do meu filho eu costumava me gabar de uma sensação que, literalmente, fazia sentir o sangue dentro do meu coração quando ao lado dele em algumas ocasiões. “Eu sinto o sangue no meu coração quando estou com o meu filho”, escrevia nos stories completamente ignorante da situação.

Não se tratava apenas de amor de pai para filho, mas de uma mistura de um problema genético chamado Síndrome de Marfam e proteção divina. E, por favor, não me peçam para conter ou limitar as palavras. O fato é que eu quase morri. E não foi aquela quase morte mais para quase do que para morte. Definitivamente foi mais para morte do que para quase.

Bem, entre meus momentos de reflexão tive mais certezas do que dúvidas. Arrogância? Não, não creio. A valorização de valores como amor, integridade, honestidade e gratidão deveriam ser certezas absolutas no mundo em que vivemos. Sabemos que não são. Da mesma forma de que tenho, faz tempo, a certeza de que não sou um santo e que, caso me fosse dada uma outra chance (sim, já tive outras), deveria pegar essas certezas e fazê-las mais presentes no meu comportamento.

Então, agora é hora de exercitar minha gratidão. A Deus eu agradeço todos os dias. Aqui eu gostaria mesmo de agradecer aos homens, mulheres e as coisas que me ajudaram a superar a morte.

Primeiramente ao Hospital UDI, rebatizado para Rede D’or São Luís, e ao Plano de Saúde Bradesco. A velocidade do plano em autorizar o procedimento foi fundamental, bem como o empenho da diretoria da Rede D’or. Eles possibilitaram as ferramentas que outros usaram para salvar minha vida. Na pessoa do diretor Augusto César Passanezi, obrigado.

Agradeço aos médicos que me atenderam nas pessoas dos cirurgiões Vinicius Nina e Marco Aurélio. Aos enfermeiros, técnicas, zeladoras, fisioterapeutas, camareiras, copeiras e todos os que trabalham naquela UTI eu gostaria de agradecer nas pessoas dos enfermeiros Fábio e Marcos Fortes. Depois de Deus, eu devo a vocês a minha vida. Muito obrigado, pessoal.

Também sou muitíssimo grato aos que mandaram mensagens de apoio, visitaram, ligavam todos os dias, faziam videochamadas e colocaram-se à disposição e agiram de forma direta ou indireta pela minha recuperação. Todos os que sem saber, e os que sabendo, acabaram garantindo um pouco mais de vontade de viver ao meu corpo combalido e meu espírito arredio. Fernando, valeu muito mesmo!

Não morri, estou vivo. Estou vivo, filho. Te amo muito. Mais que tudo. Estou aqui por você. 

*Publicado originalmente na edição impressa de O Estado do Maranhão do dia 19 de setembro de 2020

Eleições 2020

Voto consciente: não reeleja nenhum vereador em SLZ

Por 35 anos Câmara de Vereadores foi esquecida pela sociedade civil, classe política e imprensa tornando-se um adereço em São Luís. Em 2020 está na hora do eleitor começar a mudar essa realidade não reelegendo ninguém.
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Artigo

Censura nas redes e ativismo judicial: a democracia agoniza

Uma pergunta recorrente nos meios acadêmicos é como a Alemanha e o próprio Ocidente permitiram a ascensão do nazismo e de Hitler?

Invariavelmente, democracias morrem por uma série de fatores que antecedem o seu fim. É ingenuidade acreditar que Hitler conseguiu convencer uma nação inteira a aderir ao nazismo sem que antes não existisse todo um ambiente propício a isso.

Na verdade, a ascensão do nazismo contou com a decadência cultural e institucional alemã, inclusive com a omissão de intelectuais.

De acordo com o economista prêmio Nobel e filósofo Friedrich Hayek, “a ascensão do nazismo e do fascismo não foi uma reação contra as tendências socialistas do período precedente, mas o resultado dessas mesmas tendências. Esta é uma verdade que a maioria das pessoas reluta em aceitar, mesmo quando as semelhanças entre muitos aspectos detestáveis dos regimes internos da Rússia comunista e da Alemanha nacional-socialista são amplamente reconhecidas”.

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Luto

Morre o jornalista Roberto Fernandes

A morte cerebral do jornalista Roberto Fernandes, do Grupo Mirante, foi confirmada nesta terça (21). O jornalista estava internado no UDI Hospital desde o final do mês de março, quando deu entrada infectado pelo novo coronavírus (Covid-19).
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Razão ao invés de histeria

Eu estava errado em relação ao pronunciamento de Bolsonaro

Algumas das “considerações sobre o pronunciamento” estavam erradas.
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Artigo

A verdade incômoda do coronavírus: o Ocidente deixou de ser protagonista

A Europa perdeu o controle do Paraíso, como os chineses dizem, e ela sabe disso.
A Europa perdeu o controle do Paraíso, como os chineses dizem, e ela sabe disso.
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Artigo

Coronavírus – Pura ignorância ou arma de propaganda?

A imaginação [fantasiar a realidade] é a metade da doença;
a tranqüilidade é a metade do remédio; e a paciência é o começo da cura.”

Avicena (980-1037)

Não! O coronavírus não é um vírus novo; não é um vírus criado ou modificado em laboratório americano, nem um vírus criado ou modificado em laboratório chinês, e nem em qualquer outro laboratório, simplesmente porque este vírus existe desde que as aves e os mamíferos, incluindo os seres humanos coexistem na face da Terra, pois tanto nós, humanos, como as aves temos sido desde sempre os reservatórios naturais desta classe de vírus (a Influenza A), assim como de várias outras classes virais.

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Considerações sobre o pronunciamento de Jair Bolsonaro

Jair Bolsonaro pode não ser um ladrãozinho como os membros do PT e da esquerda, mas tinha a obrigação de ser mais do que isso e assumir a postura de líder e estadista
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Reflexão

Qual é a classe social da ignorância?

Acho que todos devem saber do caso da grã-fina no Rio de Janeiro que não comunicou a uma funcionária que tinha coronavírus. A senhora estava no grupo de risco, contraiu a doença e morreu pela ignorância da madame.

Hoje pela manhã eu ouvi uma história tão asquerosa e triste quanto. Um rapaz da limpeza de um condomínio desmaiou de fome.

Acostumado a receber alimentação pelos condominos, o rapaz passou a segunda espirrando. Nada de febre, nada de dores no corpo. Apenas espirros. Tem rinite alérgica.

Imediatamente foi desprezado por todos os moradores. Mesmo sabedores da situação de pobreza do rapaz, que não tem família e tem na faxina que faz no condomínio a única ocupação em vida.

Desmaiou por FOME E SEDE. passou horas estirado no chão quente.

O caso aconteceu em um condomínio Minha Casa Minha Vida na periferia de São Luís. Não há madames, playboys e nem ricaços como aquela do Rio.

Se você acha que a ignorância tem classe social, saiba que está muito enganado.

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Um plano de contingência ao COVID-19 em São Luís

Procurei no site da Prefeitura de São Luís alguma notícia sobre o Plano de Contingência do Coronavírus na cidade: NADA!

Pesquisei nas redes sociais da Prefeitura de São Luís: encontrei apenas um retweet do prefeito Edvaldo Holanda Júnior anunciando, após decreto do Governo do Estado, a suspensão das aulas nas escolas municipais… Difícil!
Mas o momento exige grandeza. Com a colaboração do professor de Medicina da UFMA Antonio Gonçalves, apresentamos um conjunto de propostas para um plano contra a COVID-19 em São Luís. É tempo de colaboração.

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O caminho é a união

Em janeiro deste ano enviei um ofício para o ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, solicitando a instalação de uma comissão especial para impedir a chegada do coronavírus no Maranhão, principalmente em São Luís, nossa cidade portuária. Sugeri que a comissão fosse composta por membros da Organização Mundial da Saúde, do Ministério da Saúde, Anvisa, da Organização Pan-Americana da Saúde, do Instituto Evandro Chagas e FIOCRUZ, e que adotasse medidas de preparação, orientação e controle para um possível atendimento de casos suspeitos do Convid-19.

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Os “porcos capitalistas” vencerão a pandemia

Um século atrás (quando no mundo havia apenas 1 bilhão de habitantes), 50 milhões de pessoas morreram devido à conhecida gripe espanhola.

Tal calamidade ocorreu porque não havia tecnologia para sequer saber o que estava acontecendo, muito menos para combatê-la. Não se sabia disso porque a medicina ainda era arcaica, baseada em instrumentos rudes e crendices. Não havia vacinas, porque não havia laboratórios de pesquisa financiados pelo lucro de grandes empresas.

O capitalismo estava apenas engatinhando. Era normal as pessoas morrerem por doenças que hoje nem constam mais nas estatísticas.

Ao longo da história, populações inteiras foram devastadas por moléstias que foram erradicadas no último século. A cidade de Nápoles chegou a perder metade de seus cidadão para o cólera. A peste matou incontáveis milhões de pessoas na Europa. A malária só pode ser controlada na América Latina graças aos esforços dos Estados Unidos em construir o Canal do Panamá.

Todos os medicamentos e vacinas que tornam nossa vida tão mais longa e tão menos sofrida que a de nossos antepassados devem-se a incontáveis grandes capitalistas que, visando ao lucro, criaram grandes empresas, investiram em pesquisas, laboratórios e fábricas. O mesmo método de produção em série de automóveis e televisores é utilizado para produzir medicamentos e instrumentos médicos.

Não há boa-vontade que funcione sem um imenso suporte tecnológico sustentado pelo lucro dos capitalistas.

Governos tentam impor a narrativa de que estão lutando contra o corona vírus, etc. Não! Eles, na melhor das hipóteses, apenas possibilitam que as descobertas dos grandes laboratórios cheguem às massas.

Cada instrumento utilizado na pesquisa e no combate a qualquer doença começa numa jazida mineral explorada por uma grande multinacional visando ao lucro.

Portanto, para proteger suas grandes fortunas, os grandes capitalistas do mundo darão um jeito de conter a atual pandemia, que certamente não levará à morte nem uma fração do que a gripe espanhola levou. Aos “porcos capitalistas”, muito obrigado!