Extermínio de mulheres de periferia por facções cresce enquanto entidades de “defesa dos direitos das mulheres” e feministas silenciam. Se for traficante e não tiver uso político, não é feminicídio?

Auxiliado pelo silêncio de entidades de defesa dos direitos das mulheres e feministas, o massacre de mulheres por traficantes em todo o país segue descontrolado. Uma das últimas vítimas foi uma mulher assassinada por se negar a beijar um traficante do PCC em um bar no Itaim Paulista, zona leste de São Paulo.

Karina Bezerra foi sequestrada após ser assediada em um bar em 14 de agosto. Mantida em cárcere privado, ela foi resgatada por policiais militares horas depois. Antes de ser assassinada, a vítima relatou o que aconteceu em depoimento à Polícia Civil e ficou escondida em Taboão da Serra, na Grande São Paulo. Mesmo assim, seu paradeiro foi descoberto por membros do PCC que a assassinaram e ocultaram seu cadáver.

Após as investigações, 3 pessoas foram presas em flagrante na quarta (14 de setembro) pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Elas foram indiciadas por tráfico, associação para o tráfico e porte ilegal de arma. Os agentes da PC encontraram no local um revólver calibre 38 e apreenderam drogas, como crack, cocaína, maconha e lança-perfume.

Entre os presos, estava Brendon Soares, 27, apontado pelos investigadores como suspeito de ser o responsável pelo “tribunal do crime” do PCC na favela.

De acordo com a polícia, ele admitiu envolvimento no assassinato de Karina, mas não deu informações sobre o paradeiro do corpo.