Fábia Oliveira, colunista do portal IG, foi quem propagou a ‘notícia’.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) usou as redes sociais nesta sexta-feira, 12, para comentar uma fake news de que teria almoçado com o ex-ator Guilherme de Pádua, assassino da atriz Daniella Perez. O suposto encontro teria acontecido durante um almoço no domingo (12/08/22), depois de um culto na Igreja Lagoinha, em Belo Horizonte.

“Minha história de luta por leis mais duras para assassinos covardes, estupradores e demais crimes violentos fala por mim e mostra de que lado sempre estive”, disse Bolsonaro. “Enquanto viver, serão as vítimas, não seus algozes, que contarão com a minha eterna solidariedade. A própria pessoa envolvida nesse crime cruel e covarde nega ter estado presente no evento.”

O presidente e a primeira-dama Michelle Bolsonaro estavam presentes no culto da Igreja, em Belo Horizonte. No entanto, o chefe do Executivo não permaneceu no local para o almoço, somente Michelle. Ao contrário do que foi noticiado por Fábia Oliveira, colunista do portal IG, Pádua, que também é pastor da igreja, não estava em nenhum dos dois eventos, mas, Juliana Lacerda, mulher do ex-ator, compareceu em ambos.

No culto, Michelle também tirou fotos com centenas de pessoas, entre elas, Juliana. “Nunca troquei uma palavra sequer com ela. Nunca mesmo. Ela nem sabia quem eu era”, afirmou Juliana em um vídeo publicado nas redes sociais. Nas mídias sociais, diversos internautas compartilharam a foto de ambas como se Michelle conhecesse Juliana.

O ex-ator também veio a público se pronunciar sobre o ocorrido.

“A minha esposa foi ao culto parabenizar o pastor Márcio porque é um pastor com um diferencial muito grande no Brasil”, disse Guilherme de Pádua em um vídeo nas redes sociais. “Tinha uma fila de admiradores da primeira-dama, a minha esposa vai nessa fila, sem a primeira-dama imaginar quem ela é, e tira uma fotografia, como uma fã, depois disso ela envia essa foto para o pai, o pai orgulhoso manda a imagem para parentes, e agora isso cai na mão da imprensa.”

O presidente também afirmou que, em respeito à roteirista Glória Perez, mãe de Daniella, não iria alimentar a “exploração leviana em cima de sua perda irreparável”. As ilações com base em informações falsas divulgadas por parte da mídia só expõem sua falta de escrúpulos e o desprezo pela dor das pessoas, tratando-as como meras ferramentas”, concluiu.

Entenda o caso

Em 1992, Daniella protagonizava a novela De Corpo e Alma, da rede Globo. A atriz e Guilherme de Pádua formavam um casal. Na época, Pádua e sua mulher, grávida, assassinaram Daniella. A atriz foi morta com 18 golpes de faca. O corpo de Daniella foi encontrado em um matagal, na Barra da Tijuca.

No mesmo ano, Pádua confessou ter assassinado a atriz por motivações passionais (provocado pelo sentimento de paixão fora de controle). Anos depois, negou o crime, atribuindo a culpa somente à sua esposa na época, Paula Thomaz. Durante o velório da vítima, o ator consolou a mãe de Daniella e o viúvo da atriz.

Quatro anos depois do crime, o casal foi condenado à prisão em dois juris: Pádua pegou 19 anos e Paula, 15. Gloria reuniu pouco mais de 1 milhão de assinaturas em um abaixo-assinado que aprovou a primeira emenda popular da história do país. Assim, tornou o homicídio qualificado em crime hediondo. Depois de cumprir apenas um terço da pena, Pádua foi solto em outubro de 1999. Três semanas depois, Paula conseguiu liberdade.