O esquema consistia na oferta e comercialização enganosa de contratos simulados de consórcio como se fossem operações de financiamento.

As empresas + Cred Soluções Financeiras (RB Financeira) e Alpha Bank Consórcio, situada em São Paulo, que atuavam na venda fraudulenta de contratos de consórcio na Grande Ilha, tiveram suas atividades suspensas após determinação da 7ª Vara Criminal de São Luís – resultado de pedido do Ministério Público do Maranhão.

PROCESSO

Primeiramente, as empresas faziam propagandas nas redes sociais com a promessa de salários e comissões a pesssoas para trabalhar com vendas, – o alvo era sempre jovens de 18 a 24 anos, que normalmente estavam desempregados.

Os jovens que se interessavam pela vaga encaminhavam seus currículos para um e-mail ou número disponibilizado pelas organizações. Logo depois, as empresas entravam em contato com o candidato solicitando que ele comparecesse a um “processo de seleção”.

(Imagem enviada ao blog.)

” Eu olhei a vaga de emprego no Instagram. Fiquei interessado. Eu não estava trabalhando e pensei que trabalhar como vendedor poderia ser fácil. A propaganda não era profissional, muito amadadora, mas destacava que os vendedores ganhariam salário ou comissão e até ajuda com passagens ( de ônibus). Eles também destacavam que o perfil era pessoas de 18 a 24 anos”, diz um jovem ao blog.

ESQUEMA

Os jovens eram contratos para vender cartas de crédito. Porém as empresas ordenavam que, para chamar a atenção de futuros clientes, era necessário propagandas na OLX, Facebook, ou outras plataformas, sobre oferta de veículos abaixo do valor de mercado. No anúncio, geralmente constava exigência de valor de entrada, simulando contrato de financiamento.

Segundo a promotora de justiça Lítia Cavalcanti, “o esquema consistia na oferta e comercialização enganosa de contratos simulados de consórcio como se fossem operações de financiamento, mediante pagamento de entrada. Após o pagamento, os denunciados se apropriavam dos recursos, não disponibilizavam o bem pretendido, não cancelavam o contrato e nem devolviam os valores pagos”.

A aparência de credibilidade dos anúncios era dada pelo uso fraudulento de fotos de veículos que realmente estavam sendo vendidos em lojas ou anunciantes na capital. Os consumidores eram induzidos a celebrar contratos de consórcio com a Alpha Bank Consórcio, não autorizada pelo Banco Central para atuar no sistema financeiro. Depois disso, os vendedores usavam a vulnerabilidade dos consumidores para ludibriar, protelar a entrega dos bens e obter vantagens ilícitas.

Quando os consumidores solicitavam vistoria dos veículos que, em tese, estavam sendo adquiridos, os vendedores informavam que o bem já havia sido negociado, mas que possuíam outro com as mesmas características, preço e prazo de entrega, ou apresentavam “um veículo de amigo ou em uma concessionária”.

Um outro jovem que também trabalhou em uma das empresas de consórcio em São Luís, diz que o esquema é milionário. Existam cartas de crédito que chegam ao valor de R$ 500 mil.

“As fotos eram da Internet mesmo. Ou da própria OLX. Quando nós fazíamos o anúncio, com os preços abaixo do mercado, a intenção era fazer o cliente ir até a sede da empresa para tentar vender a carta de crédito e não o veículo. Para quem realiza a venda, a empresa dava uma pequena comissão “, explica o jovem ao blog, ressaltando que as organizações lucravam milhares de reais com o esquema.