Com possibilidade de que três parlamentares disputem reeleição e mais entrada da deputada estadual Detinha na disputa, partido de Josimar vende ilusão de que demais candidatos podem sonhar em disputar vaga

Tudo indica que o Partido Liberal (PL) deva decepcionar muitos postulantes a cargos eletivos em 2022. Com três deputados em mandato e em vias de lançar a deputada estadual Detinha para a Câmara Federal, a legenda tem vendido a ideia de que pode ser viável para outros candidatos, os chamados “buchas”. Situação desmentida pelos números.

O que é uma bucha nas eleições?

Para conseguir eleger um candidato, cada partido deve alcançar determinado numero de votos. Em 2018 esse número foi de 181.699. Apenas Josimar de Maranhãozinho e Eduardo Braide alcançaram essa votação sozinho. Os demais tiveram que ter a ajuda de outros candidatos para elegerem-se.

Comumente os candidatos que ajudam o partido a alcançar esse número de votos são chamados de buchas. Uma parcela entra nas eleições cientes de que irão apenas ajudar a bater a meta, outros têm esperanças de eleições. E são justamente as “buchas” esperançosas o principal alvo do PL.

Missão impossível

Nas eleições de 2018, dois, dos cinco deputados federais mais votados, foram do PL. Josimar de Maranhãozinho foi o mais votado do estado, com 195.768. Junior Loureço obteve 117.033 votos.

O Pastor Gildenemyr, na época no Podemos e sem mandato, obteve 47.758 votos e foi eleito deputado na esteira da quantidade arrasadora de votos de Eduardo Braide, eleito prefeito de São Luís.

Caso Josimar de Maranhãozinho decida concorrer à reeleição e lance a esposa, o partido deve assegurar três deputados federais e concorrer pela quarta vaga. Um feito considerado histórico. Ocorre que os três primeiros lugares já estão definidos e o quarto deve ter como favorito Gildenemyr.

O partido tem vendido a ideia a postulantes ao cargo que a eleição na legenda é fácil, não é. Caso seja mantida a atual configuração, e mesmo que Josimar faça a opção por uma improvável aventura na candidatura ao governo, ou ao senado, a linha de corte na legenda deve ficar acima dos 70 mil votos.

O fato é que a eleição de deputado federal não é fácil para ninguém em qualquer legenda que seja. Contudo, no PL essa tarefa é muito mais dificultosa do que em qualquer outra legenda pelos deputados de mandato que já integram a lista de pré-candidatos. Os números mostram que as promessas de eleição e condições eleitorais no PL são apenas um canto da sereia que em outubro deve transformar os encantados em carne moída em nenhuma chance de eleição.