Representantes da Innospace no Brasil apresentaram ao Ministério da Ciência e Tecnologia os planos para lançar um foguete.

Uma empresa sul-coreana enviou representantes ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações para apresentar ao ministro, o astronauta Marcos Pontes, a produção de um foguete com capacidade de enviar dispositivos ao espaço.

As tratativas da empresa Innospace com o DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial) da Força Aérea Brasileira e com a AEB (Agência Espacial Brasileira) estão avançadas, segundo Pontes.

A ideia é utilizar o Centro Espacial de Alcântara, no Maranhão e compartilhar o veículo com projetos que fazem parte do Programa Espacial Brasileiro.

Para o lançamento do veículo de propulsão híbrida, no Brasil, a empresa sul-coreana deverá trazer todos os componentes do foguete, treinar os envolvidos como programa e construir a estrutura de lançamentos na região.

“A previsão é que o foguete seja lançado entre agosto e setembro de 2022”, afirmou o diretor de negócios da Innospace do Brasil, Élcio Jeronimo de Oliveira.

No Brasil, a Innospace tem sede no Parque Tecnológico São José dos Campos. A previsão é que o foguete seja construído em parte na cidade, a capital aeroespacial do país.

Pontes afirmou que o Ministério está disposto a ajudar no que for preciso e é de interesse do governo brasileiro que mais empreendimentos como esse sejam implementados no Centro Espacial de Alcântara.

“Nosso interesse é ter lançamentos o quanto antes lá no centro, não só no sentido de desenvolvimento do sistema em si, mas também para mostrar que o centro está funcionando”, disse.

Durante a passagem de Pontes pelo Vale do Paraíba, nesta semana, o ministro falou sobre o lançamento na base de Alcântara.

“Desenvolver foguetes é criar tecnologia e colocar em operação. O centro espacial de Alcântara ficou 36 anos esperando e ajustando, e decidimos fazer andar. Fizemos a titulação da terra dos quilombolas e eles têm sido muito bem tratados”, afirmou o ministro.

“Temos comitê que prepara plano de desenvolvimento integrado de Alcântara. Não é papo furado. É para funcionar. Temos o primeiro edital para empresas internacionais e temos cinco empresas participando.”

E completou: “Nesse ano deveremos ter o primeiro lançamento internacional de lá, um foguete decolando, um veículo da Coreia do Sul. Precisamos desses foguetes de treinamento e vai decolar”.

Innospace

A empresa sul-coreana recebeu da AEB, por meio de portaria em maio de 2020, licença para operar atividades espaciais de lançamento em território brasileiro até o ano de 2026. A empresa de engenharia espacial com origem na Coreia do Sul é pioneira na construção de foguetes de propulsão híbrida, que são menos poluentes que os demais foguetes desenvolvidos do mundo.

Alcântara

A base no Maranhão foi palco do maior acidente do Programa Espacial Brasileiro. A fatalidade aconteceu em 22 de agosto de 2003, três dias antes do terceiro lançamento do foguete VLS-1 (Veículo Lançador de Satélites), que colocaria em órbita dois satélites brasileiros.

Na ocasião, 21 engenheiros e técnicos civis do então CTA (Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial), de São José dos Campos, estavam em São Luís, no Maranhão, para a terceira fase de testes de pré-lançamento do VLS-1 do Programa Espacial Brasileiro. Todos eles morreram vítimas da explosão.