Entre negações de direitos, expulsões do território, massacres sangrentos e reconhecimento indígena questionado, os Gamella já chegaram a ser declarados, inclusive, extintos do território brasileiro.

O Povo Akroá Gamela, Terra Indígena (TI) Taquaritiua, no estado do Maranhão, foi expulso de suas terras por fazendeiros e grileiros que invadiram e exploram a região amazônica. Segundo denuncia do Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, por causa de direitos negados, expulsões do território, massacres sangrentos e reconhecimento indígena questionado, os Gamella já chegaram a ser declarados extintos do território brasileiro.

Os indígenas, porém, lutam pela sobrevivência e resistem em cerca de 14 mil hectares localizados nos municípios de Matinha, Penalva e Viana. Desde da década de 1970 – iniciaram um processo de resistência e luta pela retomada do território.

No último mês, eles foram vítimas de mais um conjunto de arbitrariedades. 19 indígenas foram detidos na aldeia Cajueiro, levados à força para a delegacia do município de Viana (MA) e tiveram seus cabelos raspados, sem qualquer chance de defesa. Movimentos nacionais e internacionais emitiram notas de apoio aos Gamella.

Entre os detidos no último mês estava o agente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Inaldo Kum´tum, liderança com forte atuação em defesa dos territórios tradicionais e uma das vítimas de violento ataque que aconteceu em 30 de abril de 2017, quando cerca de trinta indígenas foram atacados no território maranhense, quase tiveram membros decepados e vivem com as sequelas do massacre até hoje.

Rafael Silva, advogado e assessor jurídico da CPT – que teve papel fundamental na libertação dos indígenas detidos, acompanha os casos de conflitos no campo no estado do Maranhão e explica que a eles, historicamente, tem sido negado o direito de existir.

Os Akroá-Gamella vivem uma longa história de violências, silenciamento e invisibilização. Sua luta por território é uma luta pelo direito de existir, como eles próprios costumam dizer. Essa existência incomoda ao poder político, econômico e do mercado local de terras, que sempre atuou para negar-lhes o direito à vida enquanto povo indígena. Essa atual fase histórica de ameaças e violências contra os Gamella se iniciou em 2014/2015, em um continum até hoje”, explica.