Empresa é acusada de saber. assim como indústria tabagista, que lucra com práticas que prejudicam usuários. Série de reportagens aconteceu poucos dias antes de pane que tirou o Whatsapp, Facebook e Instagram do ar.

Poucos dias antes da queda nos servidores que derrubaram o Facebook, Whatsapp e Instagram, a empresa de Mark Zuckerberg havia sido alvo de uma série de reportagens com denúncias gravíssimas de uma ex-funcionária. Frances Haugen, que ocupou altos cargos na firma, disse em entrevista ao programa 60 Minutes da CBs que a empresa sabe que lucra com a exploração do público e que promove, premeditadamente, segregação social.

“O Facebook atual está separando nossa sociedade e causando violência em todo o mundo”, disse Haugen ao 60 Minutes no último domingo.

Segundo ela, todas as vezes que a empresa tem que optar entre o que é bom para o público e bom para os negócios, faz a opção pelos negócios. “Havia conflitos de interesse entre o que era bom para o público e o que era bom para o Facebook. E o Facebook, repetidamente, escolheu otimizar para seus próprios interesses, como ganhar mais dinheiro”, disse.

A entrevista de Haugen aconteceu após uma série de reportagens do Wall Street Journal em que documentos internos da empresa, coletados por ela, revelaram detalhes até então desconhecidos sobre o funcionamento interno. A entrevista na televisão e a queda dos servidores foram golpes duros.

Documentos revelaram pesquisa interna que identificou que alguns de seus produtos, entre eles o Instagram, estavam prejudicando a saúde mental de alguns de seus usuários, principalmente meninas adolescentes. “A própria pesquisa do Facebook diz que, à medida que essas jovens começam a consumir esse conteúdo de transtorno alimentar, elas ficam cada vez mais deprimidas. E isso realmente as faz usar mais o [Instagram]”, disse Haugen.

Haugen ainda afirmou que o Facebook coloca o lucro acima do bem-estar dos prejudicados. “O Facebook percebeu que se mudarem o algoritmo para ser mais seguro, as pessoas passarão menos tempo no site, clicarão em menos anúncios e ganharão menos dinheiro”.

Haugen, uma cientista de dados com graduação em engenharia da computação e MBA em Harvard, disse que aceitou o emprego no Facebook para combater a desinformação depois de perder um amigo para teorias de conspiração online.

Mas, embora ela admita que a empresa tomou algumas medidas para combater a desinformação durante as eleições de 2020, muitas dessas políticas foram apenas temporárias. Ela acredita que o governo federal deve agir para regularizar a empresa, ideia que ganhou mais força entre os parlamentares a partir da história contata por ela. Na semana passada, o senador norte-americano Josh Hawley apresentou uma legislação com o objetivo de responsabilizar as empresas de mídia social pelos danos que causam. “Como as Big Tabaco antes, as Big Techs promovem produtos que sabe serem prejudiciais”, disse um porta-voz de Hawley em um comunicado explicando a legislação.

A cada dia que passa cresce o sentimento nos EUA de que as empresas de mídia social não deveriam ter permissão para continuar lucrando com a exploração de crianças. Em um comunicado respondendo à entrevista do 60 Minutes, o Facebook disse que “continua a fazer melhorias significativas para combater a disseminação de desinformação e conteúdo prejudicial. Sugerir que encorajamos conteúdo ruim e não fazemos nada simplesmente não é verdade”.