Antes de ser eleito para AML, comunista foi a casa do ex-presidente pedir apoio na empreitada de herdar a cadeira que foi ocupada por seu pai. Primeiro romance do comunista deverá ser chamado de “Cinismo Imortal”.

Em um dos episódios mais irônicos da história recente do Maranhão, o comunista Flávio Dino foi eleito nesta quarta (21) membro da Academia Maranhense de Letras (AML). Tudo indica que não assumirá a cadeira de imortal por méritos no ramo, mas por usar a política para transforma em propriedade familiar um símbolo cultural.

Inexistente enquanto homem das letras, Dino ganhou notoriedade ao enfrentar e derrotar o que ele mesmo chama de “Oligarquia Sarney”. Ironia que o comunista tenha defendido de forma tão escancarada a hereditariedade da cadeira no 32 da AML, que teve Sálvio Dino, seu pai, como último ocupante.

Tanto foi assim que, na semana passada, Flávio Dino decidiu pedir o apoio do ex-presidente José Sarney apoio na eleição. A reunião entre os dois e o pedido é de conhecimento público.

O apoio do ex-presidente foi decisivo para que Flávio Dino pudesse transformar em propriedade familiar a cadeira 32 da AML.

A política de Flávio Dino derrotou outros quatro candidatos (Antônio Guimarães de Oliveira, José Rossini Corrêa, José Carlos Sanches e Azenate de Oliveira) que tinham apenas méritos literários (esses que Flávio Dino não possui) a apresentar.

Para justificar o abuso político da eleição de Flávio Dino para a Academia Maranhense de Letras (AML), bajuladores expõem a carreira jurídica e acadêmica do comunista como cortina de fumaça para o que ela realmente foi: uma intromissão da política no maior símbolo cultural do estado. É muito difícil acreditar que entre os outros quatro postulantes não exista alguém que tenha credenciais que superem passar em concurso público, escrever livros técnicos e uma carreira acadêmica de faz-de-conta.

A imortalidade de Flávio Dino é uma mentira contada pela política nos ouvidos da cultura.