Pastores, bispos e lideranças encontraram no aluguel do voto de seus seguidores uma boa fonte de renda nas eleições. Apoio de evangélicos não é condicionado à defesa de causas cristãs

O vice-governador Carlos Brandão recebeu nesta semana líderes evangélicos e presidentes de denominações e convenções. Na prática, a reunião inicia o período de leilão do apoio político aos possíveis candidatos ao governo em 2022.

Nos últimos anos pastores e líderes evangélicos ganharam lugar de destaque na política maranhense ao garantirem o voto dos fiéis. As negociações, no entanto, visam apenas ganhos pessoais. Nenhum político maranhense que aluga o apoio de líderes evangélicos se vê obrigado a defender pautas como a família, antiaborto, religião ou respeito ao cristianismo. Basta pagar, receber o voto dos fiéis e pronto.

No Maranhão o apoio de pastores e religiosos não vem condicionado à defesa de pautas evangélicas. A coisa é tão escancarada que se um satanista requerer uma reunião com essas lideranças, é improvável que eles se neguem a ouvir a proposta.

A situação pode ser vista pela completa inexistência da defesa de pautas conservadoras no estado. O contraste do silêncio dos pastores e líderes evangélicos após a eleição e seu entusiasmo por reuniões e eventos de apoio antes mostram que o apoio não custa compromisso político. É apenas uma relação de compra e venda.

Participaram do evento com Carlos Brandão, Paulo Luís Araújo (Igrejas Adventistas do 7º Dia), Davi Luna (Sínodo das Igrejas Presbiterianas do Brasil no Maranhão), Aquiles Valente (Convenção das Igrejas Batistas Brasileira), Apóstolo Jacy (Instituto Ômega do Brasil), Sandro Henrique (Assembleia de Deus), Cícero (Igrejas Ass. De Deus Ministério Madureira), Erasmo (Ministério Internacional MAIS Shalom), Bispo Elton (Igreja Sara Nossa Terra), Diogo Maia (Igreja Batista Lagoinha no Maranhão) e Pr. Paulo Sérgio (presidente conselho de pastores de Imperatriz). Está mais do que na hora dos fiéis deixarem de ser negociados neste tipo de evento.