Crescem suspeitas de corrupção na compra dos respiradores que nunca foram entregues

Apesar de tratada pelo Ministério Público Estadual como bobagem, a compra de respiradores que nunca foram entregues pelo Governo do Maranhão está na mira do Tribunal de Contas do Estado. O chefe da secretaria de fiscalização, Fábio Alex Melo, age heroicamente na tentativa de descobrir aonde foram os recursos e qual a origem do suposto esquema.

Alex Melo tem uma das poucas autoridades a demonstrar incômodo com os quase R$ 5 milhões gastos na compra de respiradores que nunca foram entregues. Para piorar, ainda há indícios de que além de não serem entregues, o valor pago nos equipamentos também fora superfaturado.

Alex tem defendido que o TCE faça uma “tomada de contas especial” no processo. Caso sua tese seja aceita, o novo processo irá rastrear danos ao erário público e identificar seus responsáveis na compra de 70 respiradores.

As suspeitas em relação ao preço foram levantadas pela Controladoria Geral da União (CGU), que analisou compras de 377 entes federados entre estados e municípios. Cerca de 75% das aquisições realizadas foram de até R$ 135.000,00 por respirador. Já o Maranhão pagou quase R$ 200 mil, em média, por cada um dos aparelhos.

Além de pagar mais por produtos que nunca foram entregues, o governo de Flávio Dino também é acusado de esconder os gastos. Denúncia feita pelo site Atual7 revela que o Portal da Transparência não divulgou, como exigido pela lei, os custos da operação.

O relatório de instrução assinado pelo Melo deve ser julgado em breve pelo TCE e tem o conselheiro-substituto Antônio Blecaute como relator.