Réu no Supremo Tribunal Eleitoral por acusações de ter montado uma estrutura para roubar eleições, condenação de comunista tem poder de pacificar política no estado

Nas eleições de 2018 o governador Flávio Dino não poupou esforços para vencer a eleição ainda no 1º turno. Denúncias dão conta de que a vitória esmagadora de Dino só foi possível mediante à criação de uma estrutura de ataque à democracia. Os crimes chegaram ao TSE e o governador corre o risco de perder o mandato e ficar inelegível. Sua cassação poria fim a um período de hegemonia política e beneficiaria tanto adversários quanto aliados. A deposição de Flávio Dino deveria ser uma prioridade da classe política maranhense.

DEMOCRACIA SOB ATAQUE

O esquema consistia em uma série de ações ilegais baseadas no uso da estrutura do governo para compra de votos que foi desde a criação de dezenas de cargos de capelães e até o desvio de recursos da saúde para asfaltamento de estradas.

Os crimes cometidos pelo Coligação Todos Pelo Maranhão, formada por Flávio Dino e Carlos Brandão, foram denunciados por advogados da Coligação Maranhão Quer Mais. Mesmo com provas robustas do cometimento de crimes, a justiça local inocentou o governador e seu vice. (Saiba mais sobre a denúncia detalhada aqui).

Acontece que nas instâncias a situação mudou de figura. Flávio Dino foi obrigado a exonerar 47 servidores nomeados na suposta “Farra dos Capelães” que supostamente foi montada para comprar o apoio de pastores que costumam comercializar o voto dos fiéis. A decisão pela exoneração aconteceu em 26 de fevereiro deste ano e foi ordenada pelo ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A decisão de Marques ligou o sinal vermelho no Palácio dos Leões que começou a tratar o caso com mais atenção.

Os supostos crimes comandados por Flávio Dino nas eleições de 2018 também podem ser observados nas eleições de 2016 e 2020. Ocasiões em que o governador fez uso indiscriminado da máquina pública para eleger prefeitos. O depudor do governador chegou ao ponto de que no passado, em plena crise da pandemia, ele convidava eleitores para glomerarem em comícios em suas redes sociais.

BOM PARA TODOS

O jeito autoritário de governar de Flávio Dino garantiu a ele e a seu grupo mais próximo uma hegemonia política que incomoda tanto aliados quanto adversários. Por medo das represálias de um governador que sempre ameaça aliados e persegue adversários, o silêncio acabou sendo a única forma de defesa dos incomodados com a situação. Por conta desta situação, a possibilidade de deposição do comunista é festejada no íntimo de 8 em cada 10 políticos do Maranhão.

Em caso de condenação, Flávio Dino e o vice-governador Carlos Brandão ficam automaticamente inelegíveis por 8 anos. Se a decisão for tomada faltando menos de seis meses para o fim do mandato (meados de 2022), deputados estaduais serão instados. Caso seja tomada antes, serão chamadas novas eleições.

O efeito imediato da cassação de Flávio Dino é o desmonte da estrutura política criada para que secretários de governo tomem os mandatos de deputados estaduais e federais nas eleições do ano que vem. O número de pré-candidatos entre secretários é inédito e evidencia o projeto de poder do governador. No ano que vem Flávio Dino pretende deixar sem mandato muitos dos que hoje chama de aliados.

Além de evitar uma ofensiva do governo contra deputados, a cassação de Flávio Dino também beneficia membros do seu próprio grupo e de adversários.

O fim da hegemonia de Flávio Dino beneficiaria diretamente aliados que correm perigo com a manutenção do poder. Casos do senador Weverton Rocha, Luciano Leitoa, Othelino Neto, Josimar de Maranhãozinho, André Fufuca, Juscelino Rezende, Neto Evangelista e outros que hoje não fazem parte dos planos em médio e longo prazo.

Já os adversários, esmagados nos últimos 6 anos pela máquina comunista, teriam a chance de se reorganizar.

Caso o silêncio dê lugar a ação, a situação do governador pode se complicar no TSE e seu reinado de autoritarismo pode render sua deposição.