Senador decide abrir mão da disputa do ano que vem em nome da unidade do grupo e pede garantia. Brandão aceita, Flávio Dino desconversa.

Na última quinta (15) o governador Flávio Dino (PCdoB) convocou o vice, Carlos Brandão, e o senador Weverton Rocha (PDT) para tentar unificar forças políticas aliadas nas eleições de 2022. Disposto a solucionar o problema, o senador fez uma proposta que pegou o governador no contrapé: a indicação do vice na chapa de Brandão.

A disputa entre Brandão e Weverton pelo governo do estado no ano que vem é vista com receio pelo governador. A possibilidade de que a guerra interna acabe tendo efeitos negativos, como aconteceu em 2020 na eleição da capital, é vista com receio por Flávio. Daí a convocação da reunião na semana passada. A união do grupo nas eleições do ano que vem é prioritária.

Acontece que o senador Weverton Rocha vive hoje o melhor momento político de sua carreira. Popular na classe política, articulado em Brasília e com os recursos necessários para a candidatura, a impressão que tem é que “é agora ou nunca”.

Por outro lado, o vice-governador Carlos Brandão que deve assumir o governo em meados de 2022 com a saída de Flávio Dino (o governador deve ser candidato no ano que vem e precisará se descompatibilizar do cargo). Brandão, mais do que qualquer outro, sabe dos caminhos necessários para concretizar o mandato de governador em eleição. Ele foi o braço direito de Zé Reinaldo na eleição do governador em 2002 e na eleição de Jackson em 2006.

O mais razoável seria a candidatura de Brandão, que estaria se reelegendo no cargo, e a posterior candidatura de Weverton em 2026. Acontece que o senador não tem garantia de que o acordo seja cumprido por uma razão simples: Flávio Dino pode tentar voltar ao governo.

Weverton tem mais certeza a cada dia que passa que Brandão não iria anteceder a ele no governo, mas ao próprio Flávio Dino.

Daí a proposta do senador. Indicando o vice, ele teria, além da palavra empenhada do grupo, a certeza de que o domínio do governo seria de um aliado.

Brandão aceitou a proposta. Flávio Dino desconversou.

No horizonte a possibilidades de confronto interno está mais clara. No entanto, uma nova possibilidade se materializa: a união de Brandão e Weverton à revelia do que pretende o governador.

Brandão aceitaria o indicado de Weverton, seria eleito. Quatro anos se descompatibilizaria, teria uma eleição fácil para o senado e Weverton assumiria o posto de candidato a governo do grupo.

Só que no meio do caminho da união do grupo governista há uma pedra chamada Flávio Dino.