Enquanto prefeito entrega leitos para a luta contra pandemia, governador passa o dia inteiro fazendo intrigas e usando Covid-19 politicamente

Assim que foi eleito deputado federal com mandato comprado pelo ex-governador Zé Reinaldo em 2006, Flávio Dino (PCdoB) manteve a cabeça nas eleições municipais de 2008. Ali iniciou-se um ciclo obsessivo que se repetia de dois em dois anos. Terminava uma e logo se tratava de pensar na seguinte, e na posterior à seguinte.

Ao longo de 14 anos de carreira política, a única marca do governador Flávio Dino é sua obsessão, sua compulsão, sua tara pelo próximo pleito, pela próxima eleição.

Já Eduardo Braide, em que pesem as críticas já feitas aqui a ele, parece ser uma espécie de anti-Flávio Dino. Eleito prefeito da maior cidade do estado e com peso decisivo nas eleições do ano que vem, parece que Braide nem político é.

Passados quase 50 dias de sua posse, Braide fez o que Flávio Dino não conseguiria nem que lhe cortassem a língua: não deu nenhuma declaração intrinsecamente política. Sejamos sinceros, Flávio Dino não tem capacidade para passar cinco ou seis dias tratando apenas de assuntos referentes ao Maranhão.

Enquanto Flávio chora ao lado de seu secretário rebolador pedindo leitos para norte-americanos, Governo Federal e STF, o prefeito Eduardo Braide entregou 50 leitos exclusivos para atendimento a pacientes com casos moderados e graves de Covid-19 no Hospital da Mulher.

E assim vão se alargando as diferenças entre o falastrão que após seis anos de governo conseguiu fazer menos do que Jackson Lago (que ficou cerca de dois anos no poder) e o prefeito eleito de São Luís. É claro que Braide ainda patina em algumas coisas e que pode mostrar-se um fracasso no futuro. Só que, caso seja um fracasso, tudo indica será tentando ser um homem público de sucesso. Ao contrário de Flávio Dino, que já é um fracassado como governador do estado. E já se mostrava como uma fracassado lá em 2006, quando chegou ao poder pela 1ª vez comprando mandato e em todos os anos seguintes obcecado apenas em ganhar eleições.