CoComo avaliar os primeiros 30 dias do prefeito Eduardo Braide em São Luís do Maranhão? Quais os pontos positivos e negativos? Veja a análise de José Linhares Jr.

Encerrado o primeiro mês de gestão do prefeito Eduardo Braide (Podemos), qualquer avaliação objetiva sobre sua gestão e previsão para o futuro que se pretenda conclusiva corre o risco de fracassar desgraçadamente. São apenas 30 dias que, na melhor das hipóteses, servem mais para identificar atrasos e avanços do que para determinar erros ou acertos. Braide não teve tempo para errar e teve menos tempo ainda para acertar. Apesar disso, trinta dias já servem para ver a velocidade e a direção das coisas.

FALTA DE BANDEIRA

Educação? Saúde? Emprego e renda? Infraestrutura? Assistência social? Roubalheira? Vanguarda? Virar palhaço no Twitter? Ter uma gestão criativa? Sumir por três anos? Modernizar a máquina pública? Mentir durante toda a gestão? Usar a prefeitura para perseguir adversários? Transformar São Luís em destino turístico global?

Eduardo Braide ainda não determinou qual será sua meta, qual será sua bandeira. E cada dia que passa sem fazer isso o aproxima mais e mais de ser mais um. Excetuando-se Tadeu Palácio com a bobagem da “limpeza pública” (bandeira de gestão digna de fracassados) e Jackson Lago com a saúde, todos os demais prefeitos eleitos desde o fim dos anos 1980 não tiveram uma meta objetiva a ser cumprida. Era apenas a manutenção da mesmice feita de forma deplorável ou exitosa.

PRECIPITAÇÃO

A impressão que se tem, e isso é apenas uma impressão, é que o prefeito está tão preocupado em ser um bom prefeito que esquece que aparição em canteiro de obra, no caso de um bom prefeito, é antecedida por muitas horas de planejamento dentro de gabinete.

Antes de dar um pio sobre qualquer plano que seja em qualquer área que deseje, Braide já publica em suas redes sociais, quase que diariamente, fotos de capacete vistoriando obras. Pode ser que esteja fazendo as duas coisas (planejamento e execução)? Claro que pode! Só que não passa essa impressão.

Passado um mês da gestão, eu sou capaz de apostar o meu diploma que a população ainda não sabe “qual é a do prefeito”. (Deus, que falta faz um instituto de pesquisa que não seja apenas rapariga em ano de eleição nesse estado).

Ainda é cedo? Sim, é cedo para os comuns. Só que Braide não pode nivelar-se pelos comuns. Precisa ter como meta o estrelato, o sucesso. Ir onde ninguém jamais esteve. Até o fim do primeiro semestre é mais do que pertinente a apresentação de um plano com metas e prioridades objetivas.

Conselho? Foque em geração de emprego, prefeito. Com ênfase no turismo e infraestrutura. Um simples emprego gerado pela atuação da prefeitura vale mais do que um milhão de fotos em obras.

NÃO ESPERE DOS SECRETÁRIOS

Que me perdoe a classe política e a sociedade, mas nós somos paupérrimos de quadros para a ocupação de cargos públicos. Após 15 anos cobrindo a política do estado e conhecendo para lá de uma centena de secretários, poucos foram aqueles com autonomia de criatividade independente na gestão.

Secretário de governo no Maranhão não é parceiro da gestão, é cumpridor de ordens. Então, prefeito, não cometa o erro de esperar de seus secretários mais do que o cumprimento de ordens.

VANGUARDA

Ser mais um no Maranhão é fácil. E sabendo que ser mais um por essas bandas quase sempre resulta em reeleição, chega a ser desejável. Só que Eduardo Braide, aquele político incomodado da eleição, pretende ser mais um?

Se quiser, Flávio Dino está aí como exemplo de como um gestor medíocre pode se dar “bem” munido apenas de repetição e muitas mentiras. Aliás, copiar Flávio Dino (que já havia imitado João Dória) naquela “cerimônia” da primeira vacinação foi triste demais. Ser a cópia de uma imitação é triste demais…

Caso contrário, deve tentar sempre fazer diferente o máximo de coisas que puder. A escola da administração pública tradicional paralisou São Luís e o Maranhão nos anos 1980. E as favas com “sarneys”, “dinos” e “jacksons”! É preciso romper com todo esse pessoal. Buscar em outros lugares a inspiração para a superação.

Digo sem medo de errar: tudo o que foi feito de brilhante no Maranhão nos últimos 30 anos é menos que nada se comparado ao que foi feito de forma razoável fora daqui. Em se tratando de administração pública, é claro.

Ser de vanguarda é arriscado? Demais. O caminho é tortuoso e cheio de precipícios. Só que a sorte não sorri para os covardes. A opção pela mesmice pode ser a mais segura para evitar erros e mais segura ainda para evitar a superação dos seus antecessores.

Passados 30 dias de Eduardo Braide não se pode ter certeza se a gestão será boa ou ruim, se está boa ou ruim. O que se pode suspeitar é da falta de interesse dele em ser diferente. (Aliás, coisa que está fazendo muito bem o prefeito de Rosário).

Após 100, 365 e 730 dias nos encontramos de novo para tratar deste assunto.