Culpar policiais todas as vezes que um erro é cometido e desprezar o sucateamento, precariedade do trabalho, debilidade da formação, abuso político e aparelhamento partidário promovidas por Flávio Dino vão tornar a polícia cada vez pior

Na madrugada do dia 29 de dezembro de 2020 policiais militares de Rosário, interior do Maranhão, foram filmados agredindo moradores durante o atendimento de uma ocorrência de aglomeração e perturbação de sossego. O vídeo é mais um, entre vários episódios, de violência policial no Maranhão. A sensação de que a polícia anda mais violenta é amparada não apenas por dezenas de vídeos, mas por números. Sob a titela de Flávio Dino, a polícia militar no Maranhão está matando mais, morrendo mais e agredindo mais.

O caso de Rosário foi uma verdadeira aula de como a polícia não deve agir. Além de agredirem os jovens com tapas na cara, chutes e xingamentos, os policiais alvejaram com um tiro de bala de borracha um jovem que estava tirando foto da ocasião.

Na mesma semana também foram divulgados vídeos de casos de suposta violência policial em bairros da capital. No mesmo fim de semana um vídeo de agredindo e atirando uma mulher em um bairro da periferia também foi divulgado.

Números revelam que os casos do fim de semana não foram isolados. Reportagem do jornalista Alex Barbosa, da TV Mirante, mostram que quase 800 policiais respondem a processos no Maranhão.

Após a divulgação do ocorrido, como de costume, os policiais foram crucificados por entidades como OAB, órgãos de “direitos humanos”, imprensa e pelo próprio governador Flávio Dino (PCdoB). Sociólogos foram mostrados repetindo os mesmos clichês de sempre. “A violência policial é cultural”, “Há uma deformação na autoridade policial”, “Falta preparo” e outras generalidades que não esclarecem absolutamente nada o aumento da violência policial no estado.

ALÉM DO ACHISMO

Apesar das entidades e dos especialistas, uma análise simples revela que a máquina de violência policial no Maranhão possui raízes no fracasso das políticas do ATUAL governo na formação de policiais e harmonia entre agentes e sociedade.

Já no final de 2016 o governador teve indícios do problema da violência policial e de como a falta de preparo poderia resultar na perda de vidas. Dois anos após Dino assumir o cargo, policiais militares assassinaram uma garota de 23 anos e balearam a irmã dela, de 27 anos, em Balsas (MA).

O veículo das duas jovens foi metralhado porque não parara em uma barreira policial na BR-230. As duas eram irmãs e voltavam de um velório quando se depararam com o bloqueio. Detalhe: os policiais não usavam fardamento. A morte de Karina deveria servir como um aviso, mas foi completamente desprezada pelo governador. O caso deixa claro a falta de preparo dos policiais em questão na formação de uma simples blitz.

Até o mais esquerdista dos sociólogos não pode negar que a formação do policial pelo GOVERNO DA VEZ é o maior mecanismo de prevenção que se pode ter contra a violência. Sob a batuta de Flávio Dino, os cursos de formação policial sofreram uma diminuição radical com o comunista.

O processo de formação de policiais que anos atrás demorava cerca de 12 meses, hoje foi reduzido a míseros quatro meses. O resultado imediato foi a morte de vários policiais em operação logo após saírem do curso de “formação”. O número de policiais mortos por imperícia também aumentou com a nova política do governo.

Ou seja: por culpa única e exclusiva do governador Flávio Dino a qualidade dos policiais maranhenses piorou.

O uso político da Polícia Militar também tem transformado, para pior, a vida de policiais na corporação e pode ter influência no aumento da violência. Poucos anos atrás um ofício interno da PM deixou claro que a corporação estava sendo utilizada para espionar adversários do governo.

Dentro da Polícia Militar o clima é de terror. Muitos soldados e oficiais tidos como opositores do governo reclamam de perseguição e pressão política. O nível de stress na corporação em período eleitoral (coincidentemente quando viralizam vídeos de abuso de autoridade) sobe a níveis elevados segundo agentes ouvidos pelo blog.

O aparelhamento político da tropa e o desprezo pela eficiência da tropa também pode ser observado na figura nefasta dos tais “capelães”. Apesar de não demonstrarem publicamente, muitos policiais e soldados reclamam e desconfiam das dezenas cargos de capelães criados para, segundo denúncias, barganhar votos com pastores evangélicos. A situação também mexeu com o funcionamento da polícia.

A sensação de abandono também tem afetado os policiais. Após a chegada de Flávio Dino ao poder, foi decretado que o braço jurídico do governo não iria mais defender policiais por atos cometidos em serviço. A notícia tirou a moral de muitos policiais e criou o estigma na corporação de que o governador não gostava da polícia.

A CULPA É DO GOVERNADOR

Nunca antes na história do Maranhão a Polícia Militar e seus agentes foram tão negligenciados. Seja pela precarização da formação, aparelhamento político ou perseguição e assédio na corporação.

O governador Flávio Dino, que imediatamente decidiu pelo afastamento dos policiais envolvidos no caso de Rosário, não costuma ter a mesma postura quando oficiais são envolvidos alinhados ao seu governo são flagrados em situações piores.

O governador silenciou quando o filho de um coronel foi flagrado bêbado em uma blitz dirigindo uma viatura da polícia. Ele também silenciou quando a policial Tatiane Alves de Lima denunciou assédio sexual e moral dentro de um batalhão.

Por sua postura e por suas políticas, é impossível retirar de Flávio Dino a responsabilidade pela Polícia Militar no Maranhão. A decadência da corporação é o legado dele.