“A eleição de Eduardo Braide foi muito boa para a política do Maranhão”. “Braide pode fazer o contraponto e ser o grande opositor de Flávio Dino”. Feitas em momentos distintos, mas no mesmo contexto, as duas avaliações partiram do ex-governador José Reinaldo Tavares (PSDB), ontem, durante entrevista ao programa “Os Analistas”, da TV Guará.  Apoiador de proa do prefeito eleito de São Luís, e apontado como um dos seus principais conselheiros – posição reforçada com a escolha de dois ex-auxiliares, Simão Cirineu para a Secretaria de Planejamento e de Jesus Azzolini para a Secretaria da Fazenda -, José Reinaldo também fez uma avaliação do quadro político estadual para o grande embate de 2022. Para ele, se o governador firmar seu apoio à candidatura do vice-governador Carlos Brandão (Republicanos) e se lançar para o Senado, dificilmente o senador Weverton Rocha (PDT) entrará na disputa pelo Palácio dos Leões, “mas se ele for para presidente, corre o risco de perder tudo”.

Dono de uma larga experiência como gestor e protagonista de um dos momentos políticos mais importantes dos tempos recentes no Maranhão, a eleição de Jackson Lago para o Governo do Estado em 2006, derrotando a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), José Reinaldo vê a eleição do deputado federal Eduardo Braide (Podemos) para a Prefeitura de São Luís como o primeiro momento de uma guinada. “É um valor novo, e se fizer uma boa administração, certamente alçará voos mais altos”, avaliou o ex-governador, para quem “foi bom” para Eduardo Braide não vencer a eleição em 2016. “Ele pôde se preparar na Câmara (Federal), e agora está preparado para fazer uma boa administração”, que certamente o projetará no cenário político estadual.

Do alto da sua experiência, com a autoridade de quem foi o grande articulador e principal fiador da derrubada do Grupo Sarney em 2006, José Reinaldo avalia que o sucesso político e administrativo do governador Flávio Dino, além da sua indiscutível qualificação nos dois campos, foi também facilitado pelo declínio do sarneysismo, pela derrubada de Jackson Lago e pela ausência de uma oposição forte. “Faltou o contraponto”, resumiu, para em seguida acrescentar: “O Braide pode fazer o contraponto”. Mas condicionou essa posição à realização de uma administração bem-sucedida e diferenciada como prefeito de São Luís e ao rumo político que ele resolver seguir: “O Eduardo (Braide) amadureceu muito na política. Ele não é tutelado por ninguém”.

Sem floreios e com a objetividade que é uma das suas marcas, o ex-governador José Reinaldo vê o cenário político maranhense ainda nebuloso para 2022, mas reconhece que há dois caminhos, ambos na esfera da aliança comandada pelo governador Flávio Dino: as pré-candidaturas do vice-governador Carlos Brandão, em quem aposta, e a do senador Weverton Rocha. Na sua avaliação, o resultado dessa equação vai depender do rumo a ser tomado pelo governador Flávio Dino – que no seu entendimento “está numa encrenca”. Calcula que o governador corre o risco de perder seu capital político se partir para uma candidatura nacional.

– O Flávio tem de eleger o Brandão – assinala, enfático, o ex-governador, explicando que “ele pode até não ser nada, mas não pode perder o Governo”. Para ele, o caminho ideal para o governador Flávio Dino é lançar a dobradinha como o vice-governador Carlos Brandão para o Governo do Estado e ele, Dino, para o Senado. Acredita que se essa chapa for lançada, o senador Weverton Rocha dificilmente entrará na disputa: “O Weverton não entra se o Flávio for candidato ao Senado apoiando o Brandão”. Para o ex-governador, qualquer outro caminho poderá ser politicamente prejudicial ao governador, podendo comprometer o capital político que acumulou.

Sobre sua relação com o prefeito eleito Eduardo Braide, a quem apoiou desde o lançamento da candidatura, José Reinaldo descartou a possibilidade de vir a ocupar cargo na nova gestão de São Luís e foi enfático: “Estou pronto para ajudar”.

Em Tempo: Provocado na entrevista sobre seu futuro político, José Reinaldo admitiu, sem muita ênfase, que poderá disputar mandato em 2022. Mas como que se referindo ao insucesso da sua candidatura ao Senado em 2018, avisou a quem interessar possa: “Contra o Governo eu não vou mais”.