PCdoB perdeu metade dos prefeitos e foi derrotado em todas as maiores cidades do estado. Coalisão que conduziu comunista ao poder também começa a ruir.

Até a semana passada a obsessão do governador Flávio Dino (PCdoB) era limitada às redes sociais. Passadas as eleições do dia 15 de novembro, o que se pode observar é que ela vai muito além do mundo virtual e começa a fazer ruir a coalisão que levou o próprio Dino ao poder no Maranhão. Ocupado atacando o presidente, Dino terminou as eleições como capitão de um navio que está fazendo água. A primeira vítima foi o próprio partido de Dino, o PCdoB, que teve sua influência diminuída brutalmente. A coalisão que levou o comunista ao poder também começa a ruir.

PCdoB derrotado

O partido de Flávio Dino viu seu número de prefeitos diminuir 46 prefeitos para 22. O número de vereadores da legenda também diminuiu.

O partido do governador do estado lançou candidatos em apenas duas das cinco maiores cidades do Maranhão. Sofreu uma derrota humilhante em São Luís e não conseguiu vencer em Imperatriz.

Membros do partido reclamam da obsessão de Flávio Dino pelo presidente Jair Bolsonaro como principal responsável pela decadência do partido. “Ele estava mais ocupado fazendo oposição do que tomando conta do próprio partido. Sem um líder para coordenar as ações partidárias não tem como sustentar nada”, disse um membro do partido que preferiu não ser identificado.

Guerra Fria instaurada

Ciente do seu fracasso na condução do processo eleitoral em 2020, Flávio Dino tenta catalisar sua obsessão por Bolsonaro para o pleito em São Luís como forma de “derrotar o presidente”. Dino elegeu o deputado federal Eduardo Braide (Podemos) como representante máximo do bolsonarismo no Maranhão.

Nas últimas horas o governador convocou todo o seu secretariado e aliados políticos para “derrotar Bolsonaro” nas eleições de São Luís. Políticos que demonstraram insatisfação com a possibilidade de entrar de Flávio Dino já foram avisados que serão tratados como inimigos. “Quem não estiver com a gente no segundo turno é adversário. O governador sou eu, quem manda sou eu!”, disse a interlocutores durante reuniões para arquitetar a ofensiva contra Braide.

A insatisfação com a postura autoritária do governador tem irritado aliados que, até ontem, eram leais ao governo. Segundo eles, Flávio Dino está faltando com o respeito ao exigir que todos apoiem um candidato que não goza de prestígio no grupo. “Ele quer que a gente apoie um cara que chamou todo mundo do grupo de bandido na semana passada? Isso aí não existe. O máximo que ele poderia pedir seria neutralidade. Respeito muito o governador, mas isso não significa que eu seja obrigado a me humilhar. O governador tem que se tocar que para Bolsonaro ele é uma formiga. Nosso negócio tem que ser a política aqui no estado”, disse um deputado da base ao blog.

Para interlocutores ouvidos pelo blog, Flávio Dino sacrifica a união do grupo por uma obsessão. Para eles, a relação entre Braide e Bolsonaro existe apenas no mundo de fantasia obsessiva criado por Flávio Dino.

Braide nunca deu qualquer declaração em apoio ao governo. Bolsonaro, em contrapartida, também nunca fez qualquer citação ao deputado. Os dois não possuem fotos juntos e nem mesmo constam registros de reuniões entre eles. Nas votações de projetos do governo Bolsonaro, Braide tem optado por uma posição de independência e já votou tanto contra, quanto a favor, das propostas.

Para aliados, a “conversa fiada de derrotar bolsonarismo e passar por cima dos aliados dessa forma está mostrando uma face do governador” até então desconhecida. O fato é que as coisas não serão mais as mesmas no grupo do governo após as eleições. E isso se deve ao maior adversário de Flávio Dino no momento: sua obsessão por Bolsonaro.