Mensagens de texto mostram que funcionários anunciam distribuição de cestas básicas em escolas públicas do estado ao mesmo tempo em que convidam para reuniões políticas do secretário de educação. Enquanto Camarão faz campanha, escolas seguem fechadas.

O secretário de educação, Felipe Camarão, pode estar cometendo crime eleitoral ao usar a estrutura da secretaria de educação para fazer campanha no segundo turno das eleições de São Luís. Mensagens de texto vazadas revelam que uma escola da capital iniciou a distribuição de cestas básicas logo após uma reunião de campanha organizada por Camarão. A distribuição das cestas básicas nas escolas públicas do estado acontece na semana que antecede a realização do segundo turno em São Luís.

Os anúncios da distribuição de cestas básicas nas escolas públicas do estado são feitos por aplicativo de mensagem. Curiosamente, os mesmos funcionários que anunciam a distribuição das cestas foram os mesmos que divulgaram reunião política organizada pelo próprio Camarão.

Em contato com o blog, sem saber a razão da ligação, o funcionário assumiu a autoria das mensagens. Evidentemente ele negou a relação entre a distribuição de cestas básicas e a reunião política, ambas anunciadas por ele.

O secretário, que deveria preocupar-se com as centenas de escolas fechadas e milhões de crianças sem aulas, não está medindo forças para eleger seu candidato. Ou seja: a estrutura que deveria servir a crianças e adolescentes carentes pode estar sendo usada para fazer campanha para o candidato do secretário.

Nas redes sociais é possível ver que o funcionário público deu lugar a um militante sedento por votos. Quase todos os dias desde a segunda metade do segundo turno, Felipe posta, ou compartilha, propaganda política. E sempre fazendo a ligação com sua pasta, a educação. O assédio de Camarão a funcionários da secretaria já foi materializado até mesmo em maldições indiretas pelo Twitter aos que “ficarem neutros”.