Autor do crime mais bárbaro contra um jornalista em exercício da profissão nos últimos tempos, Elias Maluco é “humanizado” por setores da imprensa depois de ser encontrado morto

Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, foi encontrado morto esta semana no presídio em que cumpria pena. Com larguíssima ficha criminal, a morte do criminoso foi noticiada pela ótica de “cartas amorosas” enviadas para a filha. Acontece que Elias Maluco foi responsável pelo maior e mais cruel crime contra um jornalista que se tem notícia na história recente do país.  

Arcanjo Antonino Lopes do Nascimento, o Tim Lopes, foi sequestrado por traficantes no dia 2 de junho de 2002. Ele investigava o abuso de crianças e tráfico de drogas em um baile funk carioca e sofreu retaliação por isso.

Investigações comprovaram que, além der sequestrado pelo tráfico, Tim foi brutalmente torturado e carbonizado em uma fogueira de pneus a mando de Elias Maluco.

O “paizão esperançoso” retratado por setores da imprensa

O corpo de Tim Lopes foi encontrado num cemitério clandestino no alto da favela comandada pelo traficante. Ele só pode ser identificado após exames de DNA. Além de Tim, a análise apontou o DNA de outras três pessoas. O que demonstra a prática comum a mando de Elias, que comandava o tráfico no lugar.

Tim Lopes morreu porque decidiu checar denúncias de moradores da Vila Cruzeiro de que menores eram obrigadas a participar dos bailes funks, usando drogas e se prostituindo. O jornalista tinha experiência nesse tipo de cobertura e já havia recebido prêmios por este tipo de reportagem. Após sua morte, as denúncias contra estes crimes ficaram mais escassas no noticiário.

Dezoito anos após Tim Lopes ser queimado vivo em uma coluna de pneus por denunciar traficantes, setores da imprensa tentam humanizar o autor do assassinato esquecendo seus crimes e focando em suas “cartas familiares”.