Ser morto e matar por um cachorro e/ou alguns míseros reais era a única opção de Daniel Leite e Eduardo Viegas?

Após uma discussão por motivos fúteis, o veterinário Daniel Leite assassinou o empresário Eduardo Viegas no dia 9 de setembro. Vídeo divulgado nesta quinta (17) revela que os dois tiveram uma discussão antes de Daniel tentar tomar o celular de Eduardo, que revidou com socos antes de ser alvejado por nove tiros.

Lamento que Eduardo tenha morrido e também lamento que Daniel Leite tenha imputado a si mesmo cicatriz tão grande na própria vida. Imagino a dor da perda das duas famílias e não consigo imaginar o que pode doer mais a um pai ou uma mãe: ir ao enterro do filho ou saber que ele disparou nove vezes contra uma pessoa desarmada.

No fundo, tanto Daniel quanto Eduardo foram vítimas de surtos de valentia por razões imbecis que matam tantas pessoas diariamente. Seja por briga no trânsito, discussões por futebol, quantias irrisórias, crimes passionais…

Se algum dos dois tivesse mais consciência e menos valentia, talvez esse texto não tivesse sido escrito e os dois estivessem bem.

Agora é preciso escrever o óbvio para poupar-me dos cérebros deficientes: tenho plena convicção de que Daniel Leite é criminoso e Eduardo Viegas é vítima.

Morrer assassinado ou ser preso por assassinato em meio a uma discussão dentro de uma clínica por uma porcaria de cachorro e/ou alguns míseros reais é algo grotesco.

São raros os casos em que uma tragédia dessa natureza não poderia ter sido impedida por algum dos dois envolvidos. E o vídeo deixa evidenciada uma triste realidade…

Daniel Leite poderia ter evitado de tornar-se um criminoso e Eduardo Viegas teve a chance de dificultar a própria morte.

Que nós, principalmente nós homens, comecemos a pensar sobre esse tipo de situação com mais frequências todas as vezes que um surto de valentia flertar com nosso comportamento: será que vale a pena?