Entenda o porquê de David Dorn, assassinado covardemente dia atrás, ser um negro sem valor para os que dizem lutar contra a violência contra negros

David Dorn tinha 77 anos quando foi assassinado na porta de uma loja de penhores no dia 2 de junho de 2020. Assim como George Floyd, assassinado de forma brutal por um policial norte-americano, Dorne foi vítima de violência covarde e agonizou em uma calçada até a morte. Infelizmente para os familiares de Dorne, ele era um negro imprestável.

Dorn era amigo do dono da loja de penhores e frequentemente verificava a empresa quando os alarmes disparavam. No dia 2 de junho, enquanto arruaceiros saqueavam a loja “em memória” de George Floyd e protestando contra seu assassinato, eles mataram Dorn a tiros.

A imagem banida das redes sociais e esquecida pelo noticiário

A agonia do negro de 77 anos, assim como a de George Floyd, foi filmada. Estirado no chão, Dorn segurava o telefone celular ainda com a tela desbloqueada. Quem sabe tentando chamar ajuda ou despedir-se da viúva que iria deixar, Ann Marie Dorn.

O vídeo de Dorn, assim com o de Floyd, ganhou as redes sociais. No entanto, foi banido por plataformas como o Facebook. A morte de Floyd, ao que tudo indica era imprestável. A vida de Dorn, aparentemente, não deveria ser lamentada. Sua agonia naquela calçada por mais de dez minutos, não era de interesse público.

Talvez o memorial feito por amigos para Dorn explique porque sua tragédia irá ser esquecida nos porões da informação e sua memória apagada.

“Vocês mataram um homem negro porque ‘eles’ mataram um homem negro? Descanse em paz.”

Câmeras mostram Stephen Cannon entrando armado na loja de penhores. Pouco tempo depois Dorn agonizava na calçada

Neste domingo (7) Stephen Cannon, de 24 anos, foi acusado pela polícia local de ter assassinado covardemente David Dorn. Assim como Derek Chauvin, o assassino de Floyd, há provas fortíssimas que incriminam Cannon.

Só que o jovem possui imunidade em relação a protestos ou qualquer tipo de campanha como a que atingiu, muito corretamente, Chauvin: ele não é policial e não branco. Dessa forma, sei crime não serve. A morte de Dorn não serve como pretexto político para acirrar ânimos entre negros e brancos, ou insuflar o ódio contra a polícia ou, nas cabeças mais perturbadas, lutar contra o “fascismo da direita pelo mundo”.

David Dorn foi um negro imprestável à causa.