Governador que gastou R$ 3 milhões em respiradores adquiridos em adega é do mesmo partido de Wilson Witzel

Figurando entre os mais afetados pela pandemia da Covid-19 no Brasil, o governo do Amazonas pagou cerca de R$ 3 milhões a uma loja de vinhos por 28 ventiladores pulmonares. O preço pago pelo governo chega a ser quatro vezes mais caro do que o preço do aparelho visto em lojas no Brasil e no exterior. O governo amazonense afirmou em nota que a adega foi escolhida por ter em sua CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) o serviço de importação.

Na nota da compra feita pelo governo amazonense, consta que 24 aparelhos da marca Resmed foram adquiridos pelo valor de R$ 104,4 mil cada. O mesmo equipamento é encontrado por cerca de R$ 25 mil em revendedores nacionais e do exterior, o que caracteriza um sobrepreço de 316%. Mais quatro respiradores da marca Phillips também foram comprados na mesma loja por R$ 117,6 mil cada, uma diferença de 209,4% em relação ao valor unitário do produto que custa R$ 38 mil em revendedoras nacionais. 

Segundo o Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Cremam), o material é considerado inadequado para pacientes com coronavírus. 

Segundo Crenam, a compra feita pelo governo amazonense não é adequada para a necessidade do tratamento de pessoas com Covid-19 em estado grave. “Os aparelhos estão incompletos sem filtro bacteriano e válvula de fuga”, afirma, o o conselheiro do Cremam, Ricardo Goés Filgueiras. “E segundo o manual de fabricante não é adequado para uso de suporte a vida. E está contraindicado em pacientes que não possam suportar mais do que breve interrupções da ventilação”, completa em seu relatório.

Os respiradores foram enviados para Hospital Universitário particular Nilton Lins, alugado pelo estado para o tratamento público de pessoas diagnosticadas com coronavírus. O valor do aluguel por R$ 2,6 mi também é questionado na Justiça. A unidade de saúde foi inspecionada pelo Crenam no último sábado (18).