Algumas das “considerações sobre o pronunciamento” estavam erradas.

Nos últimos dias o povo brasileiro mergulhou em um clima de histeria, medo e egoísmo que por pouco não arruinou o país. E coube ao presidente Jair Bolsonaro, tantas vezes acusados de “louco”, “destemperado” e “ignorante” o gesto que iniciou uma saída do transe.

Para que fique claro a gravidade dos tempos, gostaria de narrar uma situação. Na semana passada viralizou em São Luís um vídeo em que uma moça que passeava sozinha em uma praça com seu cachorrinho era xingada de prostituta, piranha e louca por dezenas de moradores de um condomínio. Se a insanidade não tivesse tomado de assalto o país, com a mais absoluta certeza do mundo a mulher seria defendida. Como estamos enterrados em tempos de medo, a atitude da turva enlouquecida contra uma pessoa que cometia o ato CRIMINOSO DE PASSEAR em uma praça foi aceita e replicada.

Na quarta (24) o presidente Jair Bolsonaro, contra tudo e contra todos, realizou pronunciamento em rede nacional em que pregou o fim do medo e a retomada da vida normal. Agiu como sempre age e falou como sempre fala. Só que o medo e a histeria transformaram o presidente em um monstro.

E foi transformado em monstro o homem que foi à televisão nos pedir para que pensássemos em nossos irmãos e irmãs brasileiros. Bolsonaro nos alertou para o fato de que o apagão econômico causado pelo medo de enfrentar a doença iria causar um efeito muito mais devastador. Sem a possibilidade de trabalhar, cerca de milhões de brasileiros iriam ficar à mercê da fome e da miséria.

Confesso que, após meses sendo bombardeado pela campanha de mentiras e manipulação, fraquejei e entrei no grupo dos linchadores. Fiz severas críticas e, no auge do surto, vaticinei o fim do governo.

No dia posterior ao fatídico pronunciamento, tive a grata oportunidade de ver um vídeo do ex-presidenciável Ciro Gomes em que ele fingia chorar pelos pobres da favela. Tal qual um beijo de do príncipe na Bela Adormecida, aquela encenação me fez ter um estalo. “Eu estou ao lado deste tipo asqueroso na crítica contra Bolsonaro? Algo está errado”.

Aliás, não se trata apenas de Ciro, mas de toda essa raça imunda que, se pudesse, apertaria um botão que acionaria a morte de algumas dezenas de milhares por coronavírus. Duvida? Então leia trechos do artigo da atriz Fernanda Torres que saúda o coronavírus como uma espécie de expurgo divino contra aqueles que ela considera o mal do mundo.

Coloquei a cabeça no lugar e percebi que minha geladeira cheia, meu confinamento, minha obsessão POR MINHA SAÚDE E DOS MEUS FAMILIARES e a completa impossibilidade de passar fome me colocavam em uma situação muito cômoda em relação ao isolamento. Será que se o fantasma de ter meu carro levado pelo banco, de ser despejado, de ficar impossibilitado de pagar minhas contas e, na pior das hipóteses, de passar fome eu iria defender com tanta firmeza esse isolamento?

Será que é tão monstruoso propor ao povo que enfrente a pandemia juntos? Que todos os riscos sejam divididos? Que não recaia sobre os ombros de 40 milhões de autônomos as principais perdas e sacrifícios?

Naquela quarta Bolsonaro mostrou porque foi eleito em 2018. Seria um presidente contra tudo e contra todos se a sua consciência assim exigisse e nunca iria dar o braço a torcer se essa convicção fosse firme o suficiente. Nunca iria sacrificar suas boas intenções pela simpatia da política ou dos adversários.

Eleito, a boa intenção o colocou até mesmo contra muito de seus apoiadores. Pois não sacrificou suas boas intenções nem mesmo pelo aplauso dos que o elegeram.

Obrigado por me fazer ver que entre a covardia da fuga solitária dentro de casa abandonando 4 milhões de pessoas e a coragem honrosa de enfrentar nessa guerra o coronavírus ao lado dos meus irmãos e irmãos, eu devo sempre preferir a guerra!