Jair Bolsonaro pode não ser um ladrãozinho como os membros do PT e da esquerda, mas tinha a obrigação de ser mais do que isso e assumir a postura de líder e estadista

1 – No dia 24 de Março o presidente Bolsonaro mostrou que não tem a capacidade POLÍTICA que o cargo exige. Por mais que a preocupação com a crise econômica devastadora que se avizinha seja pertinente e ASSUSTADORAMENTE preocupante, a função de presidente exige traquejo político para unir o país. O que se esperava de um pronunciamento de Bolsonaro em cadeia nacional em uma situação como essa era, no mínimo, era uma atuação que deixasse escancarada sua intenção de unificar o país na crise. O melhor remédio contra o caos e a irresponsabilidade da esquerda (que já não se faz de rogada e festeja os possíveis cadáveres que irão pavimentar o fracasso do governo) seria a demonstração de virtude. Fazer piadinha indireta com médico esquerdista, falar de sua condição de “ex-atleta” e partir para o ataque foi erro indefensável.

Por ter vencido uma eleição apenas com o apoio do povo e a crença em sua natureza diferente, Bolsonaro tinha a obrigação de ser melhor do que João Dória, Lula, Witzel, Ciro Gomes, Rodrigo Maia e Dilma durante aquele pronunciamento. Bolsonaro devia aos brasileiros que o elegeram uma demonstração virtude que lhes lavasse a alma.

Poderia ter anunciado diminuição no próprio salário e de seus ministros. Poderia ter anunciado que iria abrir mão de parte de sua aposentadoria. Poderia ter anunciado que iria editar uma medida que diminuísse salário de todo mundo no poder público, Executivo, Legislativo e Judiciário, que recebe mais de R$ 10 mil por mês. Poderia ter mostrado como as reformas do ano passado PROMOVIDAS PELO GOVERNO DELE salvaram o Brasil de uma catástrofe pior. E conclamado os governadores a ajuda-lo a continuar!

Para se ficar em um exemplo: o anúncio de uma reforma administrativa que impusesse aos milhares de marajás do serviço público o sacrifício que os milhões de brasileiros irão sofrer na inciativa privada teria sido aplaudida de pé. Ao invés disso, ele me vai para rede nacional de televisão fazer piada com Dráuzio Varela, o médico abraçador de estuprador e assassino de criancinha.  

2 – Também ficou evidenciado, ao desdizer o que o próprio governo diz, que pode não ter liderança no próprio governo. Na segunda o Banco Central divulgou uma série de medidas que irão garantir liquidez inédita ao país. O ministro da saúde, Mandeta, reiterou várias e várias preocupações. As medidas econômicas foram desprezadas e as recomendações do Ministério da Saúde foram confrontadas. Criticar a postura canalha da imprensa e adversários em cadeia nacional não é recomendado, mas pelo menos é justificado. Mas, como justificar o achincalhe da própria equipe?

3 – No que pese a ruindade do pronunciamento de ontem, a catástrofe que se avizinha não foi promovida por um governante que lidera uma quadrilha de ladrões e pela cultura política que massacrou esse país por tanto tempo. A crise do governo foi gestada por pura e simples incapacidade política. Movida por boas intenções e desespero com a situação? Não importa! Bolsonaro tinha obrigação de ser estadista. Não é ladrão, não é chefe de quadrilha de ladrões, não usa o governo para enriquecer partido, não usa o governo como balcão de negócios. Sim, correto! Só que tem a OBRIGAÇÃO de ser estadista em um momento como esse. A ladroagem do PT não justifica a incapacidade política de Bolsonaro.

4 – Até o Coronavirus Jair Bolsonaro fazia um governo que estava tirando o país do buraco moral que a roubalheira descarada havia nos enfiado. E graças a atuação de ministros que foram escolhidos por competência, e não por conchavo político, o começávamos a experimentar a responsabilidade administrativa que tanto desejávamos. As privatizações de empresas usadas como cabide de emprego, o fim da gastança bilionário irresponsável, reforma da previdência, lei da liberdade econômica, marco legal do saneamento básico, diminuição no número de homicídios.

5 – O sucesso das reformas e medidas tomadas no primeiro ano podem ser asseguradas com uma constatação simples: até o Coronavirus Bolsonaro estava reeleito facilmente. Mesmo apanhando diariamente ainda mantinha índices de aprovação de 50%.

6 – O tombo do governo, motivado única e excessivamente pela incapacidade de Bolsonaro, só é festejado por dois tipos de pessoa: os desejosos pela volta da política de saque no governo federal (representados por Rodrigo Maia) e os idiotas autômatos que agem como o próprio Bolsonaro ao colocar questão ideológica acima de tudo (representados por aquele seu conhecido esquerdista que acha o Brasil pior do que a Venezuela).

7 – Qualquer que seja o resultado, passada essa crise estão completamente INVIABILIZADAS as reformas tão importantes para que nosso país deixe se ser uma republiqueta. O fatal estrago nas contas públicas promovido pelo vírus e a barbeiragem política do presidente vão congelar as boas ideias catalisadas por Paulo Guedes por mais 5 ou 10 anos. Espero muito estar errado, mas acho que ontem o governo foi implodido politicamente.

8 – E aos que estão lendo esse texto sorrido e festejando o fracasso de Bolsonaro, não se avexem! Se a incompetência nos trouxe até aqui, imaginem a incompetência somada à maior quadrilha de ladrões que o poder público já teve? Quem tem bom senso não irá negar a pantomima de ontem. Quem tem sendo de responsabilidade é obrigado a lamentar o fracasso do presidente. Quem tem apreço pela realidade sabe que seria pior se tivéssemos os larápios do PT no poder fazendo “governo de coalizão” com Rodrigo Maia.

9 – Por fim, não me arrependo e não vou me arrepender de ter votado em Bolsonaro.

O presidente falha por não ter a capacidade POLÍTICA exigida para o cargo, não por ter entrado lá para roubar o país. Se em 2018 tivéssemos escolhido Haddad, não tenho a menor dúvida de que hoje nosso país estaria em situação INDISCUTIVELMENTE pior.

Não é futorologia, é lógica. Nenhuma das medidas virtuosas tomadas em 2019 pela equipe de Bolsonaro seriam abraçadas por um governo de ladrões cleptocratas. Aí, meus amigos, seria salve-se quem puder.

Infelizmente em 2018 tivemos que escolher entre uma quadrilha e um incapaz. O que, de certo, não é uma coisa boa. Se tivesse que escolher mais uma vez entre os dois, votaria de novo no incapaz.

Pessoas sábias dizem que nunca é tarde. Para mim o governo acabou ontem porque foram exauridas as possibilidades de melhorar o país. Aos acham bastante o simples fato de um representante de sua ideologia ser presidente, tudo bem. Para mim um governo só é válido enquanto tem possibilidade de melhorar um país. O resto é discussão com gente ignorante.

Espero estar errado, talvez o tempo me corrija.