Comunista Flávio Dino tem estreitado laços com direita e centro-direita em busca de apoio por eleições em 2020

Causou polêmica a declaração do governador Flávio Dino (PCdoB) no último fim de semana em que coloca o vice-governador Carlos Brandão (Republicanos) como “sucessor natural ao cargo”. A ação do governador, de certa forma, coloca de lado nomes mais ligados à esquerda do que o vice-governador e dá prosseguimento a uma série de movimentações que demonstram um afastamento de Flávio Dino da esquerda.

A guinada do governador teve data para acontecer. No dia 27 de junho o 2019 Flávio Dino reuniu-se com o ex-presidente José Sarney para tratar sobre política nacional. Até então considerados inimigos inconciliáveis, Flávio Dino recorreu a José Sarney para falar sobre os “riscos da democracia”. Vale ressaltar que Flávio Dino repercutiu por anos a narrativa de que José Sarney era, ele próprio, um inimigo da democracia ao instaurar uma oligarquia que se perdurou, segundo a esquerda maranhense, por décadas no poder.

Flagrante de troca de olhares não correspondida entre Flávio Dino e José Sarney

Após o encontro com José Sarney, Flávio Dino construiu pontes com o Democaratas, partido de centro direita. Em julho de 2019 o comunista afirmou que Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia, presidentes do Senado e Câmara Federal respectivamente, possuem o seu respeito. Dino chegou a apoiar publicamente o apoio do PCdoB à reeleição de Rodrigo Maia na Câmara Federal.

Só que o flerte entre o governador Flávio Dino e setores mais alinhados à direita, pelo menos localmente, pode ser identificado já no seu primeiro mandato. Inexplicavelmente Flávio Dino possui, desde o primeiro dia de sua gestão, um relacionamento político cordial com o deputado estadual Roberto Costa, do MDB de Roseana Sarney. Em seu segundo mandato o governo comunista tem em Pará Figueiredo, parlamentar do PSL, um de seus grandes aliados.

Flávio Dino e Rodrigo Maia durante visita do presidente da Câmara Federal ao Maranhão

Aliás, há poucas semanas atrás o governador participou de evento ao lado do presidente do PSL no estado, vereador Chico Carvalho, na periferia de São Luís. O clima ente os dois era visivelmente de felicidade.

Em 2015, quando todos esperavam uma composição de secretariado que pendesse para o lado progressista, a equipe do governador abrigou membros do PSDB, Democratas, PP e vários remanescentes da gestão da ex-governadora Roseana Sarney.

Flávio Dino faz questão de tornar públicos seus acenos ao centrão

A recente reunião entre Flávio Dino e o playboy Luciano Huck, símbolo máximo da elite branca privilegiada que a esquerda diz combater, é apenas mais uma entre várias movimentações que evidenciam o afastamento do governador Flávio Dino da esquerda.

Aliás, Dino foi um dos poucos líderes nacionais do PCdoB que não se manifestou em relação à mudança do nome da sigla para Movimento 65 e substituição do vermelho pelo verde amarelo.

CONCILIADOR? NEM UM POUCO!

A aproximação de Flávio Dino, para os mais otimistas, poderia denotar certa predisposição a um viés conciliador. Só que não!

O governo dinista é voraz em relação a adversários. Os três deputados que fazem oposição, Adriano sarney PV), César Pires PV) e Wellington do Curso PSDB), são perseguidos dia após dia pelo governador.

Prefeitos que não rezam pela cartilha do comunista, como Lahesio de São Pedro dos Crentes, que teve sua cidade abandonada pelo governo.

Ou seja: a cruzada de Flávio Dino por apoio não tem nada de virtuosa, é apenas oportunismo político.