Situação coloca em dúvida narrativa sobre conflitos motivados por disputas agrárias e joga responsabilidade sobre governo Flávio Dino

De acordo com o secretário de Direitos Humanos, Francisco Gonçalves, o tráfico de drogas e o avanço de organizações criminosas tem relação direta com o massacre de índios no interior do estado. A declaração de um membro do próprio governo põe em dúvida a versão de que o massacre ocorra por questões ambientais. As declarações de Gonçalves foram publicadas ontem em O Globo.  

As declarações de Francisco Gonçalves foram corroboradas por Luís Antonio pedrosa, assessor jurídico da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH). “Muito da violência tem como pano de fundo o tráfico de drogas por resistência dos índios”, disse.

Segundo Pedrosa, os índios da região estão se aproximando, perigosamente, de traficantes. “Traficantes têm se aproximado dos Guajajara, uma vez que eles fazem o plantio tradicional da maconha e tentam convencê-los a venderem sua produção no intuito de repassar no tráfico a preços maiores. Alguns até adotam a estratégia de se casarem com indígenas para ficarem mais próximos às aldeias e assim comprar o produto da agricultura familiar, de diversos plantios, em grande quantidade”, explicou.

Para quem acompanha o fortalecimento do tráfico de drogas e das facções criminosas no interior do Maranhão nos últimos anos, a notícia não é surpresa. Cerca de 80% da criminalidade no interior do estado tem alguma ligação, direta ou indireta, com o tráfico de drogas.

Há uma espécie de conveniência entre governo e traficantes que já foi denunciada pelo próprio Luís Pedrosa meses atrás.

Até mesmo na grande São Luís bairros inteiros começam a ser sequestrados por traficantes que estipulam uma série de “leis” que aterrorizam as comunidades. Recentemente foi estipulado até um dia no calendário para a comemoração do aniversário de uma das facções que dominam o estado. Nos últimos quatro anos, em um dia de outubro, bailes são realizados pela capital e centenas de fogos de artifício são disparados em comemoração. Em quatro anos ninguém foi sequer conduzido, o que também denota uma possível passividade do governo em relação às facções.

Caso sejam confirmadas as suspeitas de envolvimento de traficantes no massacre de índios no Maranhão, a responsabilidade recairá sobre o atual governo do estado que não impediu o domínio do interior do Maranhão por facções.