Estereotipar homossexuais como bichinhas superficiais para atacar cristãos revela desprezo do grupo Porta dos Fundos por ambos

Causou revolta, mais uma vez, o especial humorístico do Grupo Porta dos Fundos de fim de ano que satiriza Jesus Cristo e o cristianismo. As polêmicas no entorno da peça, pelo menos em minha opinião, apenas obscurecem aquilo que deveria estar em debate. Ninguém usa uma figura que considera positiva para machucar alguém. Dessa forma, é completamente deduzir que para elenco e produtores do Porta dos Fundos a homossexualidade é algo que pode ser usado para depreciar os outros. E o mais contraditório de tudo isso é fazê-lo com a anuência de parte da comunidade gay.

O humor do Portas dos Fundos se nutre do uso de todo um universo de estereótipos. Em seu especial de Natal o grupo satiriza o seu alvo predileto, aquele que sempre causa ressonância na imprensa e na internet, os cristãos. Como a porrada deve ser forte, acaba-se optando pelo estereótipo que, teoricamente na visão do grupo, mais deprecia a religião inaugurada por Jesus Cristo: o homossexual.

Poderiam fazer a opção pelo machista, pelo idiota, pelo ricaço… As possibilidades são inúmeras. Contudo, o Porta dos Fundos sempre faz a escolha pela abordagem da figura de Jesus Cristo como uma “bichinha universitária idiota e superficial”.

É óbvio que cristãos sequer cogitam a hipótese de um Jesus Cristo com essas características. Em contrapartida, é fortalecida a visão caricata de homossexuais que sempre serviu de muleta para o preconceito.

Quando alguém quer machucar ou ridicularizar um homossexual o faz com base nos personagens protagonizados por Fabio Porchat e Gregório Duvivier. Sabedores disso, o pessoal do Porta dos Fundos carrega a arma que usa para atacar o cristianismo com balas forjadas no chumbo do preconceito que milhões de homossexuais diariamente.E isso vindo de “progressistas” é muito irônico.