Maranhão em um novo patamar, que é o de oferecer ao mundo uma imagem internacional da soja certificada

Enquanto em âmbito nacional o debate sobre queimadas na Amazônia e riscos à preservação ambiental movimentou governantes e especialistas, o estado do Maranhão afirma-se cada vez mais na vanguarda da agricultura sustentável. Em 2018 foram produzidas 4,5 milhões de toneladas de soja sustentável em todo o planeta, das quais 85% são de origem brasileira. Apesar desse volume expressivo, do total de soja cultivada no Brasil (118 milhões de tons) somente 3% (3,9 milhões de tons) seguiu princípios socioambientais reconhecidos por certificadores internacionais.

Já no Maranhão, das 2,9 milhões de tons de soja produzidas em 2018, 30% (875 mil tons) foram certificadas. Cultivadas em 37 fazendas situadas principalmente na região sul do estado, essas lavouras ocupam uma área de 234 mil hectares, onde desenvolvimento e sustentabilidade são temas complementares e não antagônicos. Esses dados colocam o estado na liderança em percentuais de área de cultivo e produção certificadas.

Raio X da soja responsável no Brasil

A RTRS divulgou relatório sobre a produção de soja responsável no país, que hoje é responsável por 592 mil hectares de florestas nativas preservadas nas fazendas. Para cada hectare de área produtiva, há 0,59 hectares de florestas naturais preservadas, o que representa cerca de 616 milhões de árvores preservadas nas florestas naturais e mais de 64 milhões de toneladas de carbono armazenadas.

Cada tonelada de soja certificada pela RTRS equivale a 157 árvores preservadas ou 16 toneladas de carbono armazenadas. Portanto, quando uma empresa adquire soja RTRS, ela adquire florestas preservadas junto

As 226 fazendas certificadas pela RTRS no Brasil empregam cerca de 10 mil funcionários diretos e mais de 25 mil indiretos. A produtividade nessas fazendas é 11,5% maior que a média nacional, o que significa pelo menos 120 mil hectares de floresta nativa não convertidas para produção agrícola.

Para obter e manter a certificação essas fazendas precisam ter, entre outros requisitos, gerenciamento de resíduos, práticas de gestão para reduzir o uso de agroquímicos, rotação de culturas (soja – milho – plantas de cobertura do solo), monitoramento em tempo real (plantio, colheita) para controle de cada hora de uso de máquinas e cada litro de agroquímico, por exemplo. Todas as propriedades são auditadas anualmente.

“O auditor internacional visita todas as fazendas, entrevista todos os funcionários e as comunidades para saber o impacto dessa propriedade, principalmente a questão de agroquímicos e desmate, que só pode ter ocorrido até junho de 2016, senão não certifica”, explica a superintendente da FAPCEN, Gisela Introvini.