Diferença de apenas um voto em favor do candidato de Flávio Dino expõe enfraquecimento de influência externa no Judiciário

O desembargador Lourival Serejo obteve vitória apertada na quarta (18) na eleição para a presidência do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA). Por apenas um voto, ele venceu a disputa contra a também desembargadora Nelma Sarney. A vitória apertada em uma situação de quebra de tradição sugere o desgaste do prestígio do grupo governista no Judiciário.

Lourival Serejo e Nelma Sarney disputaram a preferência entre os 30 desembargadores que compõe a corte. Ele conquistou a preferência de 16 deles, enquanto sua concorrente contou com o apoio de 14 desembargadores. Já que entre o principal critério de desempate é o tempo de corte, e como Nelma Sarney possui mais tempo do que Serejo, apenas um voto garantiu decidiu a eleição em favor do futuro presidente.

A eleição de Lourival Serejo mantém uma quebra da tradição de eleger para a Mesa Diretora do Tribunal de Justiça do Maranhão os membros mais antigos. Terceira corte mais antiga do Brasil, esta é a terceira vez que a quebra da tradição aconteceu.

A primeira vez que a tradição foi quebrada aconteceu em 2007, quando membros da corte se rebelaram contra o desembargador Stélio Muniz e decidiram eleger Raimundo Freire Cutrim. Em 2017, com forte influência do governador Flávio Dino, foi eleito o desembargador Joaquim Figueiredo. Situação que se repetiu em 2019 em escala menor.

O placar apertado na eleição de Serejo indica uma predisposição dos membros da corte em retomar a tradição e um anseio pelo fim da influência externa e independência dos desembargadores nas decisões dos desembargadores.

Serejo comandará a o judiciário estadual de abril de 2020 até abril de 2022.