Presidente abre mão de quase R$ 400 milhões de fundo partidário para fundar partido limpo. Nova sigla deve disputar eleições de 2020 sem fundo eleitoral e sem tempo de televisão.

De acordo com o Congresso Em Foco, o presidente Jair Bolsonaro bateu o martelo e deve deixar o PSL. A notícia, ainda segundo o site, deve ser confirmada nesta terça (12). Após o anúncio oficial, ao presidente e seus aliados restará a entrada em uma nova legenda ou a construção de um partido do zero.

A crise no partido se acentuou após denúncias de esquemas de candidaturas laranjas que acabaram respingando no presidente. Membros de alguns diretórios estaduais foram acusados de forjar candidaturas femininas para desviar recursos do fundo eleitoral. Entre os denunciados está o presidente da legenda no Maranhão, Chico Carvalho.

Adversários usaram as denúncias contra o PSL para atingir Bolsonaro. No dia 8 de outubro Bolsonaro disse a um seguidor para “esquecer” da sigla. Desde então a disputa interna ganhou ares de guerra civil, atos que fizeram Bolsonaro cogitar a saída da legenda.

Apesar de eclodir em outubro, desde julho de 2019 Bolsonaro já fazia exigências de transparência no partido, como foi noticiado pelo Estadão.

Aliados de Jair Bolsonaro acham que ele finalmente começa a entender que sua imagem está cada vez mais associada à do PSL. Cresce, assim, a esperança de contar com o envolvimento do presidente na vida orgânica do partido, algo que ainda não ocorreu desde a posse dele no Planalto. Como condição para descascar mais abacaxis, além dos inerentes à função de presidente, Bolsonaro teria exigido a adoção de compliance (conjunto de normas para evitar desvios) na legenda. Há, contudo, resistência de uma ala do partido à adoção do modelo.

Coluna do Estadão – 24 de julho de 2019

Ou seja: desde o começo a ruptura entre Bolsonaro e PSL se dava pela exigência do presidente em dar um choque de honestidade na legenda. Muito diferente da narrativa vagabunda de parte da extrema-imprensa que colocava o presidente em guerra pelos recursos públicos do partido.

Com a fundação de uma nova legenda, Jair Bolsonaro pretende abrigar aliados para disputar eleições em 200 cidades pelo Brasil. Anova agremiação não terá fundo eleitoral e nem tempo de televisão. No PSL, o grupo do presidente poderia contar com recursos que beiram R$ 400 milhões para as eleições.

Do alto do cargo de presidente do país e em se tratando de ume legenda nanica já acostumada a negociatas, Bolsonaro poderia muito bem encontrar uma saída “com base em articulação”. Contudo, o presidente prefere abrir mão de todas as benesses financeiras em troca da fundação de um novo partido limpo de qualquer suspeita de corrupção.

Caso a informação do Congresso em Foco se concretize, Jair Bolsonaro dá mais uma, entre tantas provas, de que se trata de um político diferenciado.