Audiência de custódia, legalização das drogas, aborto, diversidade e ideologia de gênero são algumas pautas progressistas que têm dinheiro garantido do bilionário húngaro-americano George Soros, dono da Open Society e odiado em seu país por fomentar imigração ilegal. No Brasil, ele é conhecido por fazer doações a sites de fact-checking, como Agência Pública e entidades como a Abraji, além de financiar a formação de lideranças políticas de esquerda e de causas como a da Fundação Marielle Franco.

Uma matéria da BBC News Brasil se pergunta no título: por que o bilionário George Soros é odiado pela direita radical? A resposta é: simplesmente porque ele é amado pela extrema esquerda, por terroristas, usuários e traficantes de drogas e criminosos em geral. O bilionário que acumula as contraditórias funções da filantropia e a especulação financeira, investe pesado em ataques às soberanias nacionais, o que vê como obstáculos à construção da sua “sociedade aberta”, utopia pacifista que parece exigir o constante fomento a causas violentas e radicais como guerra migratória, terrorismo islâmico, ataque às religiões e a desconstrução de valores morais.

A Open Society Foundation (OSF), sua entidade, tem cerca de 1.800 funcionários, em 35 países. Possui um conselho consultivo global, oito conselhos regionais e 17 conselhos orientados para projetos. Com orçamento anual de cerca de US$ 1 bilhão, a OSF financia projetos em educação, saúde pública, mídia independente, reforma da imigração e da justiça criminal e outras áreas. Organizações como Human Rights Watch, Anistia Internacional, União Americana das Liberdades Civis e Planned Parenthood estão entre seus beneficiários.

Em sua defesa, ele conta com os principais jornais do mundo. Seus críticos são associados aos rótulos e associações mais desprezíveis, como racistas, neonazistas, teóricos da conspiração e antissemitas. Embora Soros nunca tenha pisado numa sinagoga e invista milhões contra o estado de Israel, sua ascendência judaica garante aos jornais a utilização de um expediente que sempre funciona. Assim, jornais do mundo inteiro se empenham na criação de estereótipos como “odiadores de Soros” ou simplesmente radicais da extrema-direita.

Desde os anos 70, Soros já tinha dinheiro suficiente para viver a vida inteira sem trabalhar. Mas não parou. Depois de mover sua carreira e o dinheiro do mundo, precisava mover a história.

“Acho que devo estar fazendo algo certo para ver quem são meus inimigos”

George Soros é um dos homens mais ricos do mundo e desde os anos 90, descobriu o caminho da filantropia como forma de influenciar decisões e dirigir a geopolítica. Seduzido na juventude pela utopia da Sociedade Aberta, de Karl Popper, Soros é entusiasta de um novo iluminismo, uma era de luzes nas quais o conhecimento e a ação social irão dispersar todos os elementos que dividem o ser humano, como certas convicções políticas, religiosas, morais e, é claro, as fronteiras nacionais. Seu lucro advindo da globalização o fez desejar um mundo sem fronteiras, físicas ou morais, para o controle social em nome da manutenção da paz e da concórdia.

Mas apesar de financiar projetos de Transparência e controle fiscal, há dez anos Soros mudou-se para Curacao, paraíso caribenho isento de impostos, local ideal para quem defende um jogo que não pretende jogar. De lá, Soros comanda a sua Quantum Group of Funds, grupo de especulação com o qual lucra milhões para serem investidos na esquerda radical em projetos de desestabilização social através da sua Open Society.

Algumas vezes acusado de informação privilegiada, Soros chegou a ser condenado por um tribunal francês a pagar uma multa de US$ 2,3 milhões por isso. Um valor semelhante ao que investe em ONGs brasileiras que combatem a “heteronormatividade”, a audiência de custódia para devolver criminosos perigosos às ruas ou o combate às “fake news da direita” através de suspeitos debates sobre ética no jornalismo.

Mas, como questiona o revelador artigo de Stefan Kanfer, sobre a vida do bilionário, o jornalismo investigativo mostra pouquíssimo interesse pela atividade deste bilionário. Acrescentamos que talvez a resposta para isso sejam as doações de Soros a entidades como a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI), que em 2016 recebeu US$ 350 mil da Open Society.

“O principal obstáculo a uma ordem mundial estável e justa, são os Estados Unidos”, declarou Soros.

George Soros, cujo nome original é György Schwartz, nasceu em Budapeste, Hungria, em 12 de agosto de 1930. Seu pai, Tivadar, era um advogado de destaque, mas um sujeito excêntrico. Embora judeu, nunca compareceu à Sinagoga. Mas era aficionado por Esperando, o idioma artificial que prometia restaurar a paz e ser a “língua do mundo”, uma espécie de Torre de Babel, como destaca Kanfer. Com o Esperando, todo nacionalismo perderia a função e desapareceria junto dos dialetos, culturas regionais e, com elas, quem sabe, as religiões e, finalmente, as divergências que faziam do mundo um lugar de permanente risco de conflito. A utopia de seu pai teria marcado o sonho de seu filho.

Desde cedo, o jovem György já se destacava na habilidade de escapar de ameaças e estar ao lado dos poderosos. Depois de seu pai, suas primeiras lições de vida foram recebidas de um oficial do Terceiro Reich durante a ocupação nazista, um amigo da família de quem se tornou um protegido. Fazendo-se passar por um afiliado cristão do oficial nazista, Soros o acompanhava na tarefa de expropriar os bens de judeus húngaros, atividade que Soros diz ter sido maravilhosa.

Seu pai o enviou para ser salvo dos horrores da guerra, mas o menino acabou se tornando um de seus algozes ao colaborar com nazistas. É desta época a escolha do sobrenome Soros, que significa “para o alto” ou “subir” em Esperanto. Kanfer lembra como foram as colaborações obrigatórias aos nazistas, pelo que não se deve criticar ninguém. Até mesmo Joseph Ratzinger, o atual Papa Bento XVI foi obrigado a alistar-se na juventude nazista. Mas há uma diferença. Ratzinger desertou e por isso foi preso. Soros, ao contrário, adorou o trabalho de expropriar judeus. Ele mesmo já o admitiu.

Em entrevista ao programa 60 Minutes, em 1998, o hoje bilionário, respondendo a uma pergunta sobre a época marcada por horror e medo por parte de judeus, mostra uma consciência tranquila. “Foi difícil de lidar?”, pergunta o entrevistador. “De maneira alguma”, responde Soros.

“Aquele foi provavelmente o ano mais feliz da minha vida. O ano da ocupação alemã”.

Perguntado se não se sentia culpado por não estar entre as vítimas e sim entre os algozes, Soros respondeu que não tinha como não estar onde estava. Ele parece acreditar que as coisas são como devem ser, que as pessoas têm um destino. Alguém deveria retirar as propriedades daquelas pessoas, diz ele. No caso, era ele, “mas podia ser outra pessoa”. Portanto, conclui na entrevista, “eu não tive nenhum papel em tirar essa propriedade. Então, eu não tinha senso de culpa”.

Globalismo: o sonho da “sociedade aberta”

Depois da Guerra, com nome anglicizado e com 17 anos, o jovem George Soros se muda para a Inglaterra. Lá ele começou a ter contato com o que viria a influenciar toda uma paradoxal carreira que une a ação de especulador financeiro e filantropo.

Sociedade aberta é um termo do filósofo austríaco Karl Popper (1902-1994) e obviamente uma expressão um tanto irônica. Ela diz respeito ao livro A sociedade aberta e seus inimigos, escrito por Popper. Soros ficou seduzido por suas teorias políticas normativas quando estudou na London School of Economics. Sociedade aberta referia-se a um mundo sem conflitos nem divergências insolúveis, como religião e afinidades tribais, culturais, sem o que acreditava serem muros intransponíveis às boas relações humanas entre os povos e, consequentemente, à paz mundial.

Popper, em seu livro, parte de uma feroz crítica à filosofia de Platão, que considerava, especialmente na República, um tipo de ancestral de guia totalitário do que Popper chama de tribalismo, sociedade fechada, guiada por pensamentos mágicos, expressos no mito do rei filósofo. A isso, Popper opunha as maravilhas da sociedade aberta, de livre comércio, de liberdades idílicas (quase utópicas), nas quais o mundo não seria dividido por nada.

Popper demonstra seguidamente o seu espanto ao achar que Platão parece se distanciar tanto dos ensinamentos de Sócrates. Segundo o filósofo Olavo de Carvalho, essa interpretação errônea de Platão tem sido muito comum. Olavo explica que Platão, na República, tentou mostrar como uma sociedade utópica era impossível.

O pensamento de Popper encontra grande impacto na mente de Soros, que o considera profético e motivando-o a nomear sua entidade Open Society. Não apenas de Soros, mas de parte de intelectuais, jornalistas e opinadores da direita liberal.

Ainda segundo o artigo de Kanfer, Soros pareceu encontrar no mundo financeiro um exemplo de “sociedade fechada”. Desbravando-a, teve inúmeros fracassos, até encontrar emprego no banco comercial Singer e Friedlander, em Londres, graças ao fato do diretor-presidente ser também húngaro.

Soros rapidamente dominou o trabalho no câmbio, obtendo lucros em negociações de moedas. Começou ali a mexer com ações europeias, ganhando favores de investidores internacionais norte-americanos. Ele os proporcionou grandes lucros ao abrir oportunidades para o novo mercado do carvão e do aço.

O bom relacionamento com investidores americanos fez com que, em 1959, Soros se mudasse finalmente para Nova York, eixo financeiro do Ocidente.

Fonte: Open Society

Embora ainda assalariado, Soros já era um funcionário de alto nível. Kanfer destaca seu ego insuperável, admitido até por ele mesmo: “admito que sempre tive uma visão exagerada da minha importância pessoal… eu me imaginava algum tipo de deus”, disse.

Foi na década de 60 que Soros concebeu a sua “teoria da reflexividade”. Nela Soros dizia que os observadores de fenômenos como política e economia se tornam parte do fenômeno e, com isso, perdem objetividade. As forças econômicas, por exemplo, que movimenta as bolsas em Wall Street, são parte de processos que têm pouca ou nenhuma relação com verificação empírica ou precedentes históricos. Com isso, Soros recomenda estar “acima”, como um deus que governa a história pela virtude da frieza e neutralidade, levando evolução à humanidade e o que ele chama de “dinheiro inteligente”.

“O arco da história não segue um curso próprio. Ele precisa ser curvado. Estou realmente empenhado em procurar curvá-lo na direção certa.

Episódios como a recessão de 1973, nos EUA, a crise de reféns americanos e a renúncia de Richard Nixon, provocaram uma profunda crise que enriqueceu diversos milionários como George Soros. Vinte anos depois Soros deu o golpe que quebrou o Banco da Inglaterra. O especulador havia tido a informação de que o governo britânico estava sustentando a libra esterlina com recursos do banco do país, então comprou milhões e depois revendeu, como se apostasse na queda da moeda. Depois de alguma resistência, o primeiro-ministro John Major cedeu e retirou a libra do mecanismo europeu de Taxas de Câmbio, fazendo a moeda despencar e Soros lucrar mais de US$ 1 bilhão. O resultado para a sociedade britânica pouco importava para Soros, no máximo fazendo-o recordar do seu primeiro emprego com o oficial nazista na Hungria: aposentados perderam suas economias e muitos foram reduzidos à pobreza. Soros ficou com o dinheiro e sem culpa alguma.

A crise de 2008 foi outra situação em que o mundo chorava e Soros sorria. “Estou tendo uma crise muito boa”, disse ele a um repórter.

Investindo pesado na política

Após a “Queda da URSS”, Soros investiu pesado em países do Leste Europeu para promover a democracia liberal e os valores da “sociedade aberta”. Recentemente, sua Open Society vem sendo expulsa de países que não toleram sua interferência. Em 2015, a Rússia o expulsou, mas também a Polônia e seu país de origem, a Hungria, cujo primeiro-ministro Victor Orban tomou para si a tarefa de extinguir a influência nefasta das ideias globalistas. O nacionalismo é visto com temor e com ódio pelo bilionário que o encara como o “tribalismo” ameaçador referido por Popper. Os “inimigos da sociedade aberta” não cessam de surgir, mesmo com o crescente investimento em mudança social, em geral vista como mudança para pior.

Há alguns anos, Soros vem se unindo a outras fundações com objetivos semelhantes para criar forças políticas e focos de resistência contra o cansaço do globalismo. A onda que elegeu Trump e, no Brasil, Bolsonaro, teve impacto na sua agenda global. Junto de outras fundações, Soros doou R$ 10 milhões para a criação da Fundação Marielle Franco, com objetivo declarado de “formação de lideranças políticas em países em desenvolvimento”. Soros não pode deixar países guiarem-se sozinhos. De fato, ele se vê como um deus. Um deus da narrativa histórica.

Em matéria recente do jornal Estado de S. Paulo, Soros aludiu à famosa citação de Martin Luther King para discordar dele. “O arco do universo moral é longo, mas ele se curva na direção da justiça”, disse King. Mas Soros discordou da ideia de que as sociedades estão predispostas à abertura. E como quem fala de fora dos juízos morais, do alto da montanha dos sábios globais, proclama o húngaro:

“O arco da história não segue um curso próprio. Ele precisa ser curvado. Estou realmente empenhado em procurar curvá-lo na direção certa”.

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