Artigo

As inúmeras contradições da pandemia

O debate científico aberto deu lugar a sentenças impostas por autoridades e especialistas incapazes de reconhecer erros. Foto: Divulgação/Montagem Oeste

Não é grave, é grave. Fique em casa, procure ajuda. Não transmite, transmite. Não precisa de máscara, use máscara. Uma dose basta. Depois duas, três, agora quatro. O enfrentamento de um vírus desconhecido foi (e ainda é) uma montanha-russa de descobertas, que desafia os centros mais avançados da medicina e da pesquisa mundial. Em pouco mais de dois anos, a ciência teve um papel decisivo nos rumos da pandemia, ao trazer conhecimento, alternativas de tratamento e prevenção, e no desenvolvimento de vacinas contra a covid-19. Apesar dos inegáveis avanços, a emergência sanitária escancarou uma realidade global: sempre houve mais dúvidas do que certezas sobre a pandemia. E é natural que seja assim. Afinal, a ciência se baseia no ceticismo, na observação e na experimentação para formular conclusões. E não em crenças nem tabus. 

No entanto, o que se viu ao longo dos meses de convivência com a doença foi uma tonelada de “orientações científicas” defendidas como verdades absolutas, sem possibilidade de questionamento algum. Pior. Em alguns momentos, o debate foi simplesmente interditado, e a tentativa de dialogar com opiniões divergentes foi desastrosa. Algumas notícias tachadas de “falsas” se mostraram reais no decorrer da crise. A possibilidade de um reforço quando autoridades ainda “pregavam” que o cidadão estaria completamente protegido com duas doses é só um exemplo. Sim, alguns países já estão na quarta injeção. É como se, de um lado, estivesse a ciência, incontestável, e, de outro, uma turma irresponsável que desdenha do conhecimento e do trabalho dos cientistas. No curso da crise sanitária, políticos e “gestores” globais juram de pés juntos que todas as suas decisões foram amparadas pelo rigor científico. Mas é só rebobinar um pouco a “fita pandêmica” para constatar que muitas medidas desafiaram não apenas a ciência, como também a lógica. A desconfiança e o cansaço de boa parte da população são justificáveis. 

Quando a OMS decretou pandemia, o mundo registrava 118 mil casos de covid-19 em 114 países e mais de 4 mil mortes pela doença

Diante das contradições e das incertezas em torno da pandemia — coisa que raríssimas autoridades são capazes de reconhecer —, Oeste reuniu algumas orientações que mudaram ao longo do tempo, sem prejuízo de outras, que (certamente) ainda estão por vir:

Demora na decretação da pandemia

A Organização Mundial da Saúde (OMS) demorou a reconhecer a gravidade da covid-19, o que contribuiu para que o vírus se espalhasse mais rápido pelo planeta.

Em 14 de janeiro de 2020, a OMS divulgou, em seu perfil oficial do Twitter, que não havia evidências, segundo as autoridades chinesas, de que o coronavírus fosse transmitido entre humanos:

As investigações preliminares conduzidas pelas autoridades chinesas não encontraram ‘evidências claras’ de transmissão humano para humano do coronavírus identificado em Wuhan.”

Duas semanas depois, o órgão publicou que o contágio fora da China era “muito limitado”:

“Até agora, WHO está atenta a um caso de transmissão humano para humano do coronavírus fora da China, no Vietnã. Ainda é um caso em muitos. Mas estamos encorajados que até agora não vimos mais transmissão de humano para humano fora da China. Estamos monitorando o surto constantemente.”

O reconhecimento oficial da pandemia pelo presidente da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, só aconteceu na segunda semana de março de 2020:

“Esta é a primeira pandemia causada por um coronavírus. Não podemos dizer isso alto o suficiente, com clareza suficiente ou com frequência suficiente: todos os países ainda podem mudar o curso da pandemia. Esta é a primeira pandemia que pode ser controlada.”

Quando a OMS decretou pandemia, o mundo registrava 118 mil casos de covid-19 em 114 países e 4.291 mortes pela doença.  

Uso de máscara

No início da crise sanitária, a OMS afirmava que não havia evidências suficientes para recomendar o uso de máscaras em pessoas saudáveis. O órgão aconselhava o uso do item de segurança apenas por doentes, por profissionais da saúde e pessoas em contato com contaminados. 

Recomendações para o uso de máscara e isolamento social | Foto: Divulgação/OMS

No entanto, em junho de 2020, a OMS mudou a orientação, com base em estudos, e disse que as máscaras deveriam ser usadas em público, para ajudar a impedir a propagação do coronavírus. Mas o órgão não recomendava o uso do equipamento de proteção durante a prática de atividades físicas.

Ao mesmo tempo, no Brasil, a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) defendia o uso do equipamento para praticar exercícios físicos. “Se você pedala em uma bicicleta, o deslocamento do seu corpo produz um turbilhonamento do ar, formando um pequeno vácuo atrás, que cria uma ‘cauda’, como se fosse um cometa, levando as gotículas da sua saliva. Quem vier atrás será atingido, mesmo a uma distância de 10 a 20 metros”, disse Carlos Alberto Eid, coordenador da comissão de atendimento pré-hospitalar da Abramet.

Boa parte das cidades brasileiras instituiu o uso obrigatório de máscaras, em locais abertos e fechados, e impôs cobrança de multa para quem não usasse o item. No Estado de São Paulo, o uso de máscaras continua obrigatório pelo menos até 31 de março. 

Hospital? Só em caso de falta de ar

Enquanto esteve à frente da pasta, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta foi criticado por orientar as pessoas com sintomas de covid-19 a ficarem em casa e só procurarem ajuda médica em caso de falta de ar. 

Ao ser questionado sobre o tema, em entrevista ao programa Roda Viva, em outubro de 2020, Mandetta respondeu que seguia as orientações da Organização Mundial da Saúde e que a preocupação era evitar a superlotação em hospitais e impedir a disseminação descontrolada do vírus. 

No decorrer dos meses, a covid-19 se mostrou imprevisível na variedade e na manifestação dos sintomas. Muitos pacientes contaminados pelo coronavírus que demoraram a buscar ajuda médica chegavam ao hospital com complicações respiratórias graves, o que diminuía as chances de recuperação. Em julho de 2020, o então secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, mudou a coordenada: “Adotamos uma nova orientação de casos de covid-19, mudando a estratégia do ‘fique em casa’ para ‘procure um profissional de saúde’, mesmo que o sintoma seja leve”. 

Previsão de mortes

O polêmico estudo do Imperial College London, divulgado em março de 2020, prognosticou nada menos do que até meio milhão de mortes no Reino Unido, caso o governo do primeiro-ministro, Boris Johnson, não abandonasse sua estratégia flexível de combate à pandemia. 

Pouco depois, o principal responsável pela previsão, o epidemiologista Neil Ferguson, admitiu, a uma comissão do Parlamento britânico, que novos dados o teriam induzido a modificar os números originais do estudo — que ele acabou finalmente baixando para menos de 20 mil mortes no Reino Unido. Atualmente, o Reino Unido registra cerca de 155 mil mortes em razão da covid-19.

Transmissão por assintomáticos

Em 8 de junho de 2020, a médica-chefe da OMS, a epidemiologista norte-americana Maria Van Kerkhov, veio a público dizer que a transmissão do coronavírus a partir de assintomáticos era “muito rara”. 

Um dia depois, a OMS voltou atrás. “Estamos absolutamente convencidos de que a transmissão por casos assintomáticos está ocorrendo, a questão é saber quanto”, disse Michael Ryan, diretor de emergências da organização.

Isolamento social

No início da pandemia, ainda sem saber como lidar com o vírus, o isolamento social foi implementado, com o argumento de que era preciso “achatar a curva” de contágio e evitar que várias pessoas ficassem doentes ao mesmo tempo, colapsando os hospitais. A justificativa dos governantes era que precisavam de tempo para equipar o sistema de saúde, a fim de atender à nova demanda.

Relembre a fala do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, em 31 de março de 2020:

“No momento, a gente deve manter o máximo grau de distanciamento social, para que a gente possa, nas regras que estão nos Estados, dar tempo para que o sistema se consolide na sua expansão. Nós estamos aumentando o sistema. Estão chegando equipamentos. A gente tem que aguardar a quantidade de hospitais de campanha, que estão sendo ainda construídos em várias cidades.”

Publicado pela revista britânica The Lancet em julho de 2020, um estudo revelou que, em uma comparação entre 50 países, a covid-19 foi mais mortal em lugares com população mais velha e com maior taxa de obesidade, mas não se observou redução de mortalidade em países que fecharam suas fronteiras ou aplicaram o “bloqueio completo”. Nos Estados Unidos, menos de 1% da população vive em lares de idosos, mas, em janeiro de 2021, essa pequena fração foi responsável por 36% das mortes por covid-19 no país. Até mesmo quem estava “protegido” entre muros não escapou do contágio.

Mesmo assim, medidas drásticas de isolamento social — o chamado lockdown —, para controlar a expansão da pandemia, foram adotadas em vários países, durante diferentes períodos, ainda que não haja comprovação científica de que essas medidas, de fato, funcionem.

Tratamentos contra a covid-19

Até hoje, a discussão sobre o uso de determinados medicamentos no combate à covid-19 é um tabu. A hidroxicloroquina, por exemplo, virou um medicamento “de direita”, associado ao presidente da República, e o debate científico foi simplesmente escanteado. 

Enquanto ainda era ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta chegou a apoiar o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina em pacientes internados com as formas graves do coronavírus. 

Em maio de 2020, a revista científica britânica The Lancet publicou um estudo, sem comprovação científica, que indicava a ineficácia do uso da medicação, baseado em testes em pacientes hospitalizados, ou seja, que estavam nos estágios mais avançados da doença. Menos de duas semanas depois, a publicação emitiu nota de retratação dos autores do estudo. Informou que, após auditoria independente dos dados, já não “poderiam mais ter certeza da veracidade do material analisado e, portanto, dos resultados obtidos”. Na esteira da publicação na The Lancet, a OMS suspendeu os estudos da cloroquina, muito embora a pesquisa não tenha cumprido os protocolos de modo a atingir o padrão-ouro em ciência. No vaivém das decisões da OMS, a entidade retomou os estudos uma semana depois e novamente suspendeu os testes com a cloroquina.

Em entrevista à Revista Oeste, em outubro do ano passado, o presidente do Conselho Federal de Medicina, Mauro Ribeiro, falou sobre o tema:

“Se você quer discutir a eficácia da hidroxicloroquina e da ivermectina no tratamento da covid, a discussão é legítima. Até o momento, não há comprovação de que funciona, nem de que não funciona. Agora, dizer que hidroxicloroquina e ivermectina matam, para quem é médico, mais parece uma piada. E, quando isso vem da boca de um médico, beira ao escárnio.”

A polêmica da dose de reforço

A maior parte das vacinas contra a covid-19 em aplicação no mundo foi anunciada com esquema vacinal completo de duas doses. O imunizante da Janssen foi festejado quando o laboratório divulgou que apenas uma dose seria suficiente para proteger vacinados contra a covid. De lá para cá, alguns países, como Israel e Chile, já estão na quarta dose de vacinação anticovid. 

O caso da CoronaVac foi emblemático. A vacina, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan, foi a primeira a ser aplicada no Brasil. Quando as discussões sobre uma possível dose de reforço começaram a surgir, o Butantan chegou a publicar um tuíte insinuando que afirmar a necessidade de uma terceira seria disseminar “fake news”:

O governador do Estado de São Paulo, João Doria (PSDB), chamou de “inutilidade” a discussão sobre uma terceira dose da CoronaVac. “Não há nenhuma necessidade”, ressaltou o tucano, em entrevista ao portal Metrópoles. “Bastam as duas doses, que é o que recomenda a Organização Mundial da Saúde”, disse Doria, ao criticar “campanhas” contra a CoronaVac. 

A partir de setembro do ano passado, o Ministério da Saúde (MS) liberou a aplicação da terceira dose da vacina contra a covid-19 em idosos com mais de 70 anos e imunossuprimidos. Doria não demorou para anunciar a aplicação de um reforço da CoronaVac assim que o MS autorizou a medida. 

Em novembro, o governo federal decidiu estender a dose de reforço das vacinas contra a covid-19 a toda população maior de 18 anos. Os brasileiros que tomaram a dose única da vacina Janssen também foram aconselhados a tomar uma dose extra, entre dois e seis meses da primeira aplicação. 

Combinação de vacinas

Rechaçada logo de início, a mistura de diferentes tecnologias de vacinas já é uma realidade mundial. O Rio de Janeiro foi a primeira cidade brasileira a oficialmente autorizar a combinação de vacinas para grávidas, ao permitir que gestantes e mulheres que acabaram de ter filhos e tomaram a primeira dose da AstraZeneca fossem autorizadas a receber a segunda aplicação da Pfizer.

Mas não houve consenso entre as autoridades sanitárias brasileiras. Ainda em novembro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendou ao Ministério da Saúde que a aplicação da dose de reforço fosse feita com a mesma vacina usada no esquema primário, no caso dos imunizantes da Pfizer, da Janssen e da AstraZeneca. Apenas no caso da CoronaVac, a agência reguladora indicou a mistura entre vacinas de outras fabricantes, de preferência a vacina de mRNA da Pfizer.

Já o MS orientou Estados e municípios a aplicar a dose de reforço com uma vacina diferente da utilizada no esquema inicial em todos os adultos. “É o que nós chamamos de vacinação heteróloga. Essa decisão é apoiada na ciência”, disse o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. 

Intervalo entre doses 

Na largada da vacinação global, os governos deram orientação para aumentar o intervalo entre as doses, em razão da escassez do produto. A intenção era ampliar o número de pessoas com ao menos uma dose de vacina. 

No Reino Unido, por exemplo, o intervalo entre doses da Pfizer foi de 12 semanas, ainda que o recomendado pela fabricante fosse de três semanas. 

Na ocasião, a OMS informou que a segunda dose da vacina da Pfizer/BioNTech poderia ser aplicada em um intervalo de até seis semanas, em “circunstâncias excepcionais”.

Ou seja, foram três recomendações diferentes para a mesma situação.

No Brasil, a Anvisa defendeu a observância do intervalo entre doses constante na bula das vacinas:

“O intervalo de doses é definido pela bula, que é um documento aprovado pela Anvisa, em concordância com a empresa, baseado nos estudos clínicos”, afirmou Gustavo Mendes Lima Santos, gerente-geral de Medicamentos e Produtos Biológicos. “Respeitar o que a bula traz em relação ao intervalo é garantir a eficácia que observamos e o perfil de segurança que avaliamos nos estudos clínicos.”

Mas não foi o que aconteceu. A bula da CoronaVac, por exemplo, recomendava um intervalo de 14 a 28 dias entre doses. Depois, um estudo realizado pelo Butantan mostrou que a melhor resposta imune acontecia com maior intervalo de tempo entre as aplicações — entre 21 e 28 dias. 

No mês passado, o Estado de São Paulo reduziu de cinco para quatro meses o intervalo da dose de reforço da vacina contra a covid, sob a justificativa do avanço da Ômicron. A Anvisa, contudo, recomendou que a decisão fosse reavaliada, uma vez que não está claro se os benefícios da antecipação superam os riscos da aplicação generalizada de uma terceira dose.

CoronaVac é 100% “chance zero de morrer”

Em 14 de janeiro de 2021, João Doria publicou, em seu Twitter, dados sobre a CoronaVac: “Entenda a eficácia da vacina do Butantan, de 50,4%, para casos muito leves, a 100%, para casos moderados e graves de covid-19”:

“Compartilhe a verdade.”

Só para ficar em um exemplo, em junho do ano passado, seis idosos vacinados com duas doses da CoronaVac morreram de covid-19 num asilo em Arapongas, no Paraná, em meio a um surto que atingiu 32 dos 43 residentes do Lar São Vicente de Paulo. Além disso, oito dos 16 funcionários que trabalham na instituição, todos com imunização completa com a vacina chinesa, foram diagnosticados com a covid-19. 

A Revista Oeste questionou o Instituto Butantan a respeito do caso, e obteve, por e-mail, à época, a seguinte resposta: “É prematura e temerária qualquer afirmação sobre hospitalizações ou óbito pela covid-19 de pessoas vacinadas contra a doença, uma vez que cada caso, individualmente, deve passar obrigatoriamente pelo processo de investigação, que não considera apenas a imunização de forma isolada, e sim o conjunto de aspectos clínicos, como comorbidades e outros fatores não relacionados à vacinação”.

Vacinação em crianças 

A vacinação de crianças preocupa pais e médicos e não é consenso na comunidade científica. Alguns especialistas questionam a necessidade de vacinação desse grupo e a falta de estudos clínicos que contemplem a faixa etária de 5 a 11 anos. No caso da vacina da Pfizer, há relatos de miocardite (inflamação no músculo cardíaco) e de pericardite (inflamação na membrana externa do coração) provocadas pela vacina da Pfizer em jovens, principalmente depois da segunda dose. A Suécia, por exemplo, decidiu não recomendar a vacinação contra a covid-19 para crianças de 5 a 11 anos, com a justificativa de que os benefícios da vacinação nessa faixa etária não superam os riscos.

Para uma parte dos médicos, essa faixa etária não é alvo da doença, e são raros os casos de menores de 18 anos que sofrem com a covid na forma grave. No Brasil, de março de 2020 a novembro de 2021, 308 crianças de 5 a 11 anos morreram em razão da covid-19 — 69% delas tinham ao menos uma comorbidade (doença pré-existente). “Estudos com crianças e adolescentes são escassos, não são bem controlados e não demonstram a eficiência da vacina em reduzir doença e morte nessa população”, afirma o infectologista Francisco Cardoso. 

Origem do coronavírus

A ditadura chinesa demorou um ano para autorizar a entrada de uma comitiva, enviada pela OMS à China, para investigar o laboratório de Wuhan e tentar descobrir a origem do coronavírus. Até hoje, o relatório produzido pela entidade não conseguiu esclarecer a principal incógnita dessa pandemia: como o vírus surgiu e atingiu os humanos.

Antes disso, qualquer insinuação de que o coronavírus pudesse ser uma criação humana de laboratório foi simplesmente silenciada, tachada de “teoria da conspiração” e de “desinformação”, principalmente pelas agências de checagem — que se julgam a voz da verdade na internet.

Em junho de 2020, a agência Lupa, empresa associada ao Facebook e abastecida com verba do programa de apoio ao jornalismo da big tech, declarou em seu Twitter que era falsa a afirmação de que o novo coronavírus foi criado em laboratório. Em outra publicação, a agência chegou a chamar de “teorias da conspiração” especulações nesse sentido. Com base em checagens de agências, Facebook e Instagram proibiram postagens que faziam menção à possibilidade de origem laboratorial do vírus — publicações foram excluídas e os usuários que insistissem poderiam ser banidos das redes. 

Somente em maio de 2021, depois de uma publicação na revista científica Science defender a hipótese de escape laboratorial do vírus, o Facebook informou que não iria mais remover das redes sociais publicações que afirmassem que a covid pudesse ser “causada pelo homem”. 

As investigações sobre a origem do coronavírus continuam ativas. Documentos divulgados neste mês por congressistas dos Estados Unidos mostram que alguns dos mais importantes cientistas do planeta suspeitavam, em 2020, que a covid-19 tenha sido o resultado de uma manipulação genética feita em laboratório. 

Como lembrou o colunista de Oeste J.R. Guzzo, em recente artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo: “De todos os desastres, alguns sem mais conserto, que a covid-19 trouxe nestes dois últimos anos ao mundo e ao Brasil, um dos mais perversos, sem dúvida, é a degeneração universal da ideia básica de ciência”. 

Com reportagem de David Ágape

ECONOMIA

Contas do governo tem o menor saldo negativo desde 2014

Além do Governo cumprir a meta fiscal para o último ano, o resultado foi o melhor em sete anos.

A Secretaria do Tesouro Nacional divulgou, nesta sexta (28), que as contas do governo fecharam 2021 como o menor saldo negativo desde 2014, quando o déficit foi de R$ 35,2 bilhões.

Os dados mostram que as contas do governo fecharam o ano passado com um déficit de pouco mais de R$ 35 bilhões e revelam que é o melhor resultado em sete anos. O déficit de 2021 é 95,3% menor do que o rombo registrado em 2020, que somou R$ 743,2 bilhões (10% do PIB do país) devido aos gastos extraordinários com a pandemia de covid-19.

Desta forma, o governo cumpriu a meta fiscal para o último ano, que exigia que o déficit nas contas não poderia ultrapassar a marca de R$ 247,1 bilhões.

AUMENTO

CNM recomenda que prefeitos de todo Brasil ignorem reajuste

Confederação Nacional dos Municípios orientou que os municípios não apliquem aumento de 33,23% aos professores proposto pelo presidente Bolsonaro.

A Confederação Nacional dos Municípios (CNM) orientou aos prefeitos de todo o país, nesta sexta (28), que ignorem o percentual de reajuste proposto pelo Governo Federal ao piso nacional dos professores.

Em nota, presidente da entidade, Paulo Ziulkoski, recomenda que os gestores municipais corrijam os salários da categoria pela inflação, de 10,16%, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) em 2021, ao contrário dos 33,23% proposto pelo presidente da República.

Segundo a CNM, o reajuste definido por Bolsonaro pode levar as contas municipais a não serem aprovadas pelo Tribunais de Contas e Controladoria-Geral da União (CGU).

Confira a nota:

Diante de anúncio do governo federal sobre o reajuste do piso do magistério para 2022, a Confederação Nacional de Municípios (CNM) alerta para a grave insegurança jurídica que se põe em decorrência do critério a ser utilizado. A entidade destaca que o critério de reajuste anual do piso do magistério foi revogado com a Lei 14.113/2020, que regulamentou o novo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), entendimento que foi confirmado pelo próprio Ministério da Educação, no dia 14 de janeiro, com base em parecer jurídico da Advocacia-Geral da União (AGU). Afinal, o que deve ser de fato levado em consideração: parecer da AGU, Nota de Esclarecimento do MEC ou Twitter do presidente da República?

Ao colocar em primeiro lugar uma disputa eleitoral, o Brasil caminha para jogar a educação pelo ralo. A CNM lamenta que recorrentemente ambições políticas se sobressaiam aos interesses e ao desenvolvimento do país. Cabe ressaltar, ainda, que, caso confirmado o reajuste anunciado pelo governo federal, de 33,24%, os Municípios terão um impacto de R$ 30,46 bilhões, colocando os Entes locais em uma difícil situação fiscal e inviabilizando a gestão da educação no Brasil. Para se ter ideia do impacto, o repasse do Fundeb para este ano será de R$ 226 milhões. Com esse reajuste, estima-se que 90% dos recursos do Fundo sejam utilizados para cobrir gastos com pessoal.

Durante todo o ano de 2021 a CNM atuou junto ao Legislativo e ao Executivo para mostrar que o critério de reajuste do piso nacional do magistério, fixado na Lei 11.738/2008, perderia a eficácia com a entrada em vigor do novo Fundeb. Desde 2010, o piso nacional do magistério passou a ser atualizado, anualmente, em janeiro, pelo mesmo percentual de crescimento, nos dois anos anteriores, do valor anual mínimo por aluno dos anos iniciais do ensino fundamental urbano, definido nacionalmente, nos termos da Lei 11.494/2007. Um novo critério de reajuste tem sido uma bandeira defendida pela CNM há mais de 13 anos, que luta pela aprovação do texto original do Projeto de Lei (PL) 3.776/2008, com a adoção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) nos doze meses anteriores para reajuste do piso.

Isso porque há um aumento real muito acima da inflação e do próprio Fundeb. O piso do magistério cresceu 204% entre 2009 e 2021, superando o crescimento de 104% da inflação mensurada pelo INPC e de 143% do Fundo, recurso que serve para o financiamento de todos os níveis da Educação Básica. Esse mesmo cenário, em menor magnitude, ocorreu com o salário-mínimo (137%). Importante ressaltar que o piso hoje não serve apenas como remuneração mínima, mas como valor abaixo do qual não pode ser fixado o vencimento inicial, ou seja, repercute em todos os vencimentos do plano de carreira dos professores. Então o impacto é enorme e prejudica diretamente os investimentos em educação no país, na medida em que grande parte dos repasses para a Educação estão sendo gastos com folha de pagamento.

Diante do cenário de incertezas quanto ao critério e do impacto previsto, a CNM, após reunião da diretoria e do Conselho Político, recomenda que os gestores municipais realizem o reajuste com base no índice inflacionário até que novas informações sejam fornecidas pelo governo federal. A entidade vai continuar acompanhando a discussão do tema no âmbito jurídico a fim de garantir que haja clareza diante da indefinição criada.

Cabe destacar, por fim, que o movimento municipalista não questiona o papel e a importância desses profissionais, mas contesta sim a falta de responsabilidade com a gestão da educação no Brasil. A CNM está olhando para a educação. É dever do Estado garantir a manutenção do ensino e da própria prestação de serviços ao cidadão pela administração pública, mas, em ano eleitoral, para fazer palanque político, quem paga a conta novamente é o cidadão.

Paulo Ziulkoski
Presidente da CNM

DOAÇÃO

Banco atende pedido e inclui MA em ação para desabrigados

Eliziane Gama solicitou ao Banco do Brasil que incluísse o Maranhão entre os estados com contas para doações de famílias vítimas das fortes chuvas.

O Banco do Brasil atendeu a solicitação da senadora Eliziane Gama e incluiu o Maranhão entre os estados com contas para doações as vítimas dos desastres naturais

Nesta quinta (27), a parlamentar destacou em suas redes sociais a ação do Banco do Brasil como forma de estimular as pessoas a contribuírem com as famílias desabrigadas por causa das fortes chuvas.

O Banco está divulgando o número de conta para as doações e disponibilizando ações nos canais próprios como os terminais de auto-atendimento.

Eleições 2022

Lula se incomoda sobre apoiar quem sempre foi de direita

Ex-presidente alegava dificuldade em apoiar alguém do PSDB. Agora a complicação fica pessoal, já que Brandão quer ser da esquerda por conveniência.

Prestes a oficializar saída do PSDB e definir rumo ao PSB, Carlos Brandão parece não ter vida fácil mesmo com mudança de partido.

O vice-governador do Maranhão é a escolha pessoal de Flávio Dino e conta com articulação do chefe do Palácio dos Leões para conseguir apoio do líder petista, Luiz Inácio Lula da Silva. Diante disso, o ex-presidente recebeu Flávio Dino e o senador Weverton Rocha nesta semana, em São Paulo, com o objetivo de unificar a esquerda no Maranhão.

No entanto, Lula reafirmou, em entrevista, seu apoio a Weverton para o Governo do Estado e afirmou que não apoiará um candidato do PSDB, se referindo a Carlos Brandão. Por conta disso, segundo informações, Lula não estaria confortável com a insistência de Flávio Dino para apoiar o vice-governador na disputa do Palácio dos Leões. Um interlocutor do líder petista que acompanhou as conversas em caráter reservado revelou:

“O presidente ficou claramente incomodado com o desejo do Dino de apoiar um cara que sempre foi da direita”, afirmou.

Covid-19

Unicef exige que governantes mantenham escolas abertas

Diretora-executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância fez um discurso duro contra governantes que insistem em manter as escolas fechadas.

A diretora-executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Henrietta Fore, defendeu a abertura das instituições de ensino.

De acordo com o Unicef, aproximadamente 616 milhões de crianças estão sendo afetadas pelos fechamentos parcial ou total das escolas pelo mundo por causa da pandemia do novo coronavírus.

“Sem desculpas. Mantenham as escolas abertas. As crianças não podem esperar […] Precisamos de ações ousadas para permitir que todas as crianças voltem à escola. Isso inclui fornecer apoio abrangente com foco particular em crianças vulneráveis em cada comunidade”, defendeu.

A diretora-executiva também afirmou que o Unicef apoia a imunização de crianças, mas solicitou que os governantes não façam da vacinação do público infantil um pré-requisito para o ensino presencial.

“Ao se condicionar o acesso à educação presencial à vacinação contra a covid-19, corre-se o risco de negar às crianças o acesso à educação e aumentar as desigualdades”, destacou.

TECNOLOGIA

São Luís não está apta para receber tecnologia 5G de Internet

De acordo com o Ministério das Comunicações, das 27 capitais, 12 já atualizaram a legislação para facilitar a implantação da tecnologia.

O Ministério das Counicações informou que as cidades de Brasília (DF), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Fortaleza (CE), Natal (,RN), Palmas (TO), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Vitória (ES), Aracaju (SE) e Boa Vista (RR) já atualizaram suas legislações locais para ofertar a tecnologia 5G de Internet.

Quanto mais moderna for a legislação da cidade, mais rápido o município terá ampla cobertura do sinal 5G, que para cobrir toda a região, que exige muito mais antenas. Dessa forma, a cidade de São Luís não está apta para receber nova internet e deve preparar a atualização das normativas da legislação municipal adaptadas à Lei Geral das Antenas para disponibilizar mais antenas e oferecer um 5G mais rápido e com mais qualidade.

No intuito de eliminar eventuais obstáculos à redução do déficit de conectividade, o MCom e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) têm feito um trabalho junto aos municípios, tanto elucidando dúvidas quanto sugerindo adequações às legislações locais.

De acordo com o previsto no edital da Anatel, todas as capitais brasileiras estarão prontas para lançar a internet 5G para a população até 31 de julho deste ano. Dentro desse prazo, segundo o cronograma definido no leilão das faixas de radiofrequência, as sedes estaduais precisam oferecer, pelo menos, uma antena para cada 100 mil habitantes.

“Ao longo dos anos, faremos com o que o país tenha assegurado a cada um o direito de acesso à internet; todos nós sabemos a importância que isso tem”, assegurou o ministro das Comunicações, Fábio Faria.

PARALISAÇÃO

Funcionários da Santa Casa de Misericórdia entram em greve

Categoria denuncia que estão sem receber o vale-transporte, o reajuste salarial já deveria ter sido aplicado e não é recolhido o FGTS, entre outros encargos.

Um grupo de funcionários da Santa Casa de Misericórdia de São Luís iniciou paralisação das atividades em protesto devido ao atraso do salário de dezembro, 13º salário de 2021 e o pagamento de férias.

Segundo os manifestantes, a situação de contestações por questões trabalhistas é recorrente na Santa Casa de Misericórdia. Outra reclamação é o excesso de trabalho para alguns servidores. Na unidade de saúde, cerca de 300 profissionais estão sem poder cumprir suas funções por terem contraído a Covid-19. Com os afastamentos, sobra para os poucos que permanecem no local de trabalho.

Por conta disso, os funcionários garantem que só vão suspender a manifestação quando a direção do hospital conversar com a classe. Inclusive, eles alegam que o Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem e Trabalhadores em Estabelecimentos de Saúde do Estado do Maranhão (Sindsaúde/MA) precisa ser acionado constantemente.

Segundo a presidente do Sindicato, Dulce Mary dos Santos, em diversas ocasiões foram realizardas tentativas de negoiciações com a direção do hospital, mas sem sucesso.

“Salário é uma condição de sobrevivência aos trabalhadores. Não estamos pedindo nada absurdo. Há férias, 13º, INSS, vale-transporte, tudo em atraso. A greve será por tempo indeterminado, e estamos abertos a negociação”, disse Dulce Mary.

Agora, os profissionais aguardam que a direção se manifeste para resolver a situação.

ROMPIMENTO

Márcio Honaiser pede exoneração da Sedes e retorna a ALEMA

Segundo informações, ação é resultado de uma determinação do senador Weverton, que pediu a todos do PDT entregarem os cargos no governo Dino.

O deputado estadual Márcio Honaiser, titular da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedes), protocolou nesta quinta (27) seu pedido de exoneração do cargo de secretário. Com o ato, ele retorna para Assembleia Legislativa, assim que o recesso acabar, para acompanhar o ano legislativo.

“Fechamos este ciclo a frente da Sedes com o sentimento de gratidão a todos que estiveram ao nosso lado nesta caminhada. O trabalho em prol da população maranhense continua agora na Assembleia Legislativa”, disse Márcio Honaiser.

Desde 2019, quando assumiu a pasta, Márcio Honaiser participou de ações como entregas de Restaurantes Populares, Vale Gás para 120 Mil famílias, implementação do Banco de Alimentos, Tarifa Social de Energia Elétrica, novas modalidades no Programa Mais Renda como Costuraria e Confeitaria e Auxílio Cuidar para crianças e adolescentes, entre outras.

De acordo com o então ex-secretário, essas ações visam a melhoria na qualidade de vida da população em situação de vulnerabilidade social, principalmente durante o período de pandemia.

“Nossa satisfação é ver que uma família consegue fazer uma alimentação saudável diariamente, graças a implantação de um restaurante popular. Que uma família consegue ter acesso as políticas públicas através do Cras e do Creas de sua cidade. Que um pai ou uma mãe de família consegue ter um equipamento profissional para tirar o sustento da sua família. São pequenas ações que fazem a diferença na vida dessas pessoas”, afirmou Márcio Honaiser.

Segundo informações, o pedido de exoneração é resultante de uma determinação do pré-candidato ao governo do Maranhão, senador Weverton Rocha, que decidiu pedir a todos do PDT para que deixem os cargos no governo Flávio Dino.

Outro que também deve deixar a gestão socialista é o ex-prefeito de Codó e atual diretor-geral do Departamento Estadual de Trânsito do Maranhão (Detran-MA), Francisco Nagib.

Covid-19

Prefeitura de Bacabal anuncia medidas e cancela carnaval

Gestão municipal também divulgou que fica proibida a emissão de licenças e autorizações para as festividades.

A Prefeitura de Bacabal anunciou nesta quinta (27) o cancelamento do carnaval oficial da cidade.

O decreto com as medidas mais restritivas foi publicado nas redes sociais da gestão municipal e já está em vigor. Estão proibidas, também, prévias pré-carnavalescas.

Em nota, a prefeitura comunicou que prévias carnavalescas estão proibidas e que bares e restaurantes devem funcionar com apenas 70% da lotação do estabelecimento. Confira:

“1. Ficam CANCELADAS todas as comemorações de Carnava no exercício de 2022, bem como a promoção de prévias carnavalescas e similares, tanto em ambiente público quanto privado, em todo o município de Bacabal.

2. Fica proibida a emissão de licenças e autorizações para as festividades elencadas no caput.

3. Ficam definidas em todo o território municipal durante a vigência deste decreto as seguintes normas para bares, restaurantes, conveniências e ambientes congêneres:

– a limitação de capacidade de 70% (setenta por cento) da lotação do estabelecimento”

Artigo

Como garantir a perpetuação da pobreza

Apenas siga as lições ensinadas pelo estado.

Imagine que você pudesse voltar no tempo uns 50 anos. Suponha que a razão por que você está fazendo isso é para implantar políticas que irão garantir que os ricos se tornem mais ricos e que a pobreza seja perpetuada ao máximo. (Por que alguém iria querer fazer isso está além da questão).

Quais políticas você iria implantar?

1. Você iria querer adotar políticas monetárias e fiscais que destruíssem ao máximo possível o poder de compra da moeda. 

Os ricos, que têm acesso a aplicações bancárias e financeiras que lhes protegem contra a inflação, manteriam seu poder de compra protegido.  Já os pobres, sem acesso a esses mecanismos, ficariam ainda mais pobres.

2. Você iria querer manter as pessoas menos capacitadas fora do mercado de trabalho. Para isso, você dificultaria ao máximo para que essas pessoas conseguissem um emprego. 

A imposição de um salário mínimo, em conjunto com uma cornucópia de encargos sociais e trabalhistas, faria com que fosse excessivamente caro contratar uma pessoa com poucas habilidades. Haveria oportunidades apenas para os mais qualificados. Afinal, se o preço mínimo a ser pago é o salário mínimo estipulado pelo governo, e se os custos adicionais gerados pelos encargos sociais e trabalhistas praticamente dobram o custo do salário, quem irá contratar uma pessoa pouco qualificada em vez de uma pessoa mais qualificada?

3. Você iria garantir favores especiais e privilégios exclusivos para os empresários mais ricos. 

Você iria lhes conceder subsídios diretos ou empréstimos subsidiados via bancos estatais (pagos com o dinheiro dos impostos pagos pelos mais pobres), iria criar tarifas de importação e desvalorizar a moeda para encarecer importações e lhes garantir uma reserva de mercado, e iria criar agências reguladoras que cartelizassem o mercado interno e impedissem a entrada de concorrentes externos em vários setores da economia, o que garantiria preços artificialmente altos e produtos de baixa qualidade.

4. Você iria reprimir ao máximo o surgimento de pequenos empreendedores por meio de uma burocracia esclerótica e de um código tributário ininteligível.

Você imporia inúmeros procedimentos para se formalizar uma empresa e criaria um emaranhado de leis, medidas provisórias, decretos e outros atos tributários aterrorizantes, você faria com que qualquer eventual erro de contabilidade fosse o suficiente para classificar como “sonegador e criminoso” aquele cidadão que só quer empreender e, com isso, gerar empregos. 

5. Você iria (literalmente) pagar as pessoas para que elas continuassem na pobreza e fossem eternamente dependentes do governo.

Agindo assim, toda e qualquer ética do trabalho seria suprimida e destruída.

6. Você tributaria absolutamente tudo o que é vendido na economia. 

Desta forma, você confiscaria grande parte da renda dos mais pobres.

7. Você entregaria ao governo a função de fazer a “sintonia fina” da economia, implantando políticas fiscais e monetárias expansionistas para aditivar o crescimento econômico.

Isso causaria frequentes ciclos econômicos, períodos de crescimento artificial da economia (o que enriquece os mais ricos) seguidos de períodos de profunda contração da economia (o qual empobrece os mais pobres).

Esses sete itens, combinados, fariam perfeitamente o serviço. 

Erija várias barreiras ao progresso dos pobres, pague as pessoas para continuarem pobres, crie um arranjo no qual os grandes empresários consigam vantagens econômicas artificiais, dificulte ao máximo que os pequenos consigam empreender, e você terá criado um sistema no qual a pobreza será perpetuada e os ricos serão cada vez mais ricos.

Como não tentar solucionar a pobreza

Desnecessário enfatizar que cada uma das políticas acima está hoje em vigor no país. 

Mas tudo piora. Ao perceberem que a pobreza está se perpetuando, raramente as pessoas se dão conta da contribuição dos sete itens acima. Consequentemente, em vez de defenderem substanciais alterações — ou mesmo a abolição — dos supracitados itens, elas simplesmente saem em defesa de medidas que irão aprofundar ainda mais o descalabro.

A principal medida — em torno da qual tudo gira — é a “original” ideia de aumentar imposto de renda sobre os ricos, como se tal ato, além de inócuo para a economia, fosse capaz de aliviar substantivamente toda a pobreza.

Quais seriam as consequências?

Em primeiro lugar, o aspecto mais importante a ser observado é que é impossível isolar os custos de qualquer imposto. A maioria das pessoas pensa que cada indivíduo rico paga, sozinhos, seus impostos diretos. Mas essa crença é demonstravelmente falsa. 

Se, por exemplo, a alíquota do imposto de renda que incide sobre as rendas mais altas fosse elevada em 20%, os trabalhadores de renda mais alta (que são os mais produtivos e, logo, indispensáveis) reagiriam a isso negociando um aumento salarial. Se essas pessoas conseguirem um aumento salarial de, por exemplo, 10%, isso significa que praticamente metade do aumento de 20% da carga tributária sobre pessoas físicas foi repassada às pessoas jurídicas, que são empregadores.

A exata divisão do fardo tributário entre empregados e empregadores vai depender do relativo poder de barganha entre eles no mercado de trabalho. O que interessa é que os empregados de maior renda irão repassar uma parte, se não a maior parte, de qualquer aumento em seu imposto de renda para seus empregadores.

Consequentemente, estes empregadores irão contratar menos empregados — ou tentarão contratar oferecendo salários bem menores, algo difícil —, e irão tentar repassar esse aumento havido nos custos trabalhistas para os consumidores, na forma de preços maiores. 

Os empresários irão tentar repassar estes maiores custos aos consumidores até o ponto em que possam elevar preços sem sofrer uma relativamente grande perda no volume de vendas. Desta forma, os consumidores que ainda continuarem comprando a estes preços maiores estarão pagando parte do aumento na carga tributária que supostamente deveria afetar apenas os “ricos”.

Desnecessário dizer que, quanto mais pobre for o consumidor, pior ficou a sua situação. Qualquer aumento no imposto de renda da camada mais rica da população — seja o 1% mais rico ou os 5% mais ricos — irá acabar por elevar os impostos que toda a população paga indiretamente.

Mas ainda dá para piorar.

Caso o repasse para os preços desse aumento no imposto de renda fosse muito pequeno, o efeito de longo prazo será ainda pior. Se os empregadores tiverem de arcar com toda a elevação dos custos trabalhistas sem uma correspondente elevação de sua receita, suas margens de lucro diminuirão. 

Redução nos lucros significa menos investimentos. E menos investimentos significam menos crescimento econômico, menos oferta de bens e serviços, menos emprego, menores salários e queda na renda de toda a população. 

Os pobres, de novo, foram os mais prejudicados.

Além de elevar o imposto de renda sobre os ricos, muito popular também é a ideia de se elevar o imposto de renda de pessoa jurídica, principalmente para as “grandes corporações”. Demagogos sempre dizem que as grandes corporações não pagam sua “fatia justa” de impostos.

O principal problema, o qual até mesmo economistas de esquerda entendem mas não gostam de admitir em público, é que grandes corporações não pagam impostos. Pessoas arcam com os impostos, não entidades inanimadas. Uma importante área da ciência econômica, chamada de “incidência tributária”, diz que a entidade sobre a qual um imposto é criado (ou elevado) não necessariamente irá arcar com todo o fardo deste tributo; boa parte do ônus pode ser transferida para terceiros.

Por exemplo, se um tributo é criado (ou elevado) sobre uma grande corporação, e caso ela queira se manter operando no mercado, há quatro coisas que ela pode fazer: ela pode elevar os preços dos seus bens e serviços, ela pode deixar de dar aumentos salariais ou deixar de contratar pessoas, ela pode reduzir investimentos (pois agora há menos sobra de caixa), e ela pode, no extremo, reduzir salários e demitir pessoas.  

Em cada uma dessas situações, uma pessoa de carne e osso ficou em pior situação. E os pobres, na melhor das hipóteses, não melhoraram em nada sua situação.

O ponto principal é que uma corporação é uma ficção jurídica e, como tal, não paga impostos. Repetindo: pessoas pagam impostos, e não entidades inanimadas. Na prática, corporações são meramente coletoras de impostos para o governo.

Políticos adoram ludibriar o povo dizendo que não irão criar impostos sobre ele, o povo, mas sim sobre alguma outra entidade. Suponha que você é o proprietário de um imóvel. Se um político lhe disser que não irá tributar você, mas sim apenas o seu terreno, você facilmente perceberia a trapaça. A terra não paga impostos e nem tem como pagar impostos. De novo, apenas pessoas físicas pagam impostos.

No entanto, essa artimanha utilizada pelos políticos segue seduzindo incautos.

Outra tramóia que está sempre em voga é a elevação dos impostos sobre herança, a qual quase sempre se dá na forma de transmissão de bens imobiliários. O imposto sobre herança existe apenas para aplacar o ímpeto dos invejosos; suas receitas são ínfimas. Mas seu poder destruidor é enorme. Seu impacto é grande porque, para que o recebedor da herança (majoritariamente na forma de um bem imobiliário) consiga pagar os tributos incidentes, ele normalmente tem de vender outros ativos que possui. Em muitos casos, ele tem de vender ações, títulos e até mesmo seu ponto comercial e sua propriedade rurais. O efeito prático disso é que ativos que estavam sendo utilizados em atividades produtivas foram transformados em fonte de financiamento para as atividades destruidoras do governo.

Conclusão

A ignorância sobre os fatores que perpetuam a pobreza alimenta políticas de cunho invejoso e rancoroso que não apenas destroem ainda mais a economia, como também, e consequentemente, perpetuam ainda mais a pobreza.

Ao menos alguma porcentagem dos impostos que foram aumentados sobre os ricos e sobre as grandes corporações serão repassados a todos os consumidores — e isso prejudicará majoritariamente os mais pobres.  

Qualquer aumento de impostos sobre um grupo acabará sendo compartilhado por todos. E não há nada que as autoridades estatais possam fazer quanto a isso. Os indivíduos de mais alta renda irão arcar com apenas uma fatia do aumento ocorrido em suas alíquotas. E essa importante constatação quase nunca é reconhecida. E é dessa maneira que um imposto sobre um se transforma em um imposto sobre todos.

Enquanto as pessoas se mantiverem ignorantes sobre intervenções econômicas que perpetuam a pobreza, bem como sobre as consequências de medidas tributárias implantadas exatamente com a desculpa de se aliviar essa pobreza, charlatães e políticos espertalhões continuarão se esbaldando.

Pandemia

Suécia aconselha pela não vacinação de crianças contra covid

Agência de Saúde do país sueco justifica que os benefícios da vacinação do público infantil não superam os riscos.

A Agência de Saúde da Suécia decidiu, nesta quinta (27), não recomendar a imunização contra o novo coronvírus para crianças de 5 a 11 anos.

O argumento é que, além da decisão pode ser voltada atrás mediante pesquisas pesquisas futuras ou se uma nova variante alterar o rumo da pandemia, os benefícios da vacinação nessa faixa etária não superam os riscos.

“Com o conhecimento que temos hoje, com um baixo risco de doença grave para as crianças, não vemos nenhum benefício claro em vaciná-las”, afirmou a presidente da agência, Britta Bjorkholm, em conferência de imprensa.

Crianças em grupos de risco ainda podem receber o imunizante contra a Covid-19.

Eleições 2022

PSDB e Cidadania avançam, enquanto Andrea Murad aguarda Brandão

Ex-deputada aguarda saída de vice-governador para tomar decisão. Na próxima semana, tratará novamente sobre o assunto com o PSDB nacional.

O PSDB autorizou, nesta quinta (27), a abertura do diálogo com o Cidadania para possível formação de uma federação.

O anúncio foi feito pelo diretório tucano, na tarde desta quinta-feira (27), e aguçou o cenário político do país e também do Maranhão. Principalmente porque, no Cidadania, a senadora Eliziane Gama vem anunciando apoio ao pré-candidato ao governo do Maranhão nas eleições deste ano, Weverton Rocha (PDT).

Pelo lado do partido tucano no Estado, o deputado estadual Wellington Do Curso se colocou à disposição da direção nacional para presidir o partido no Maranhão, afirmou que pode concorrer ao Senado representando a legenda e anunciou, ainda, que o partido deve lançar candidatura própria, divulgando a ex-deputada Andrea Murad (MDB) como possível pré-candidata ao governo pelo PSDB.

Diante disso, a ex-deputada estadual Andrea Murad (MDB) confirmou que foi convidada pelo presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, para representar a sigla na disputa pelo Governo do Maranhão este ano e esteve em Brasília, na última terça (25).

Na oportunidade, a ex-parlamentar revelou que o presidente Bruno Araújo confirmou que, com a saída do vice-governador Carlos Brandão rumo ao PSB, a nacional tucana não permitirá que ele continue controlando o partido no Estado.

“Eu recebi o convite do Bruno para ir a Brasília e conversamos sobre essa possibilidade de uma candidatura minha ao Governo. Estou estudando, não era esperado. Mas, antes de qualquer decisão minha, o Brandão precisa oficializar a saída dele do partido. Na conversa, avaliamos o partido no Estado, esclareci minha posição e pedi uma decisão rápida em relação ao comando. Após isso, ficamos de voltar a conversar”, esclareceu Andrea Murad.

Líderes do PSDB entendem que a decisão final sobre a federação com o Cidadania deve ser tomada o quanto antes, para que também sejam definidas as chapas que vão disputar as eleições estaduais e nacionais.

O prazo atual do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para validar alianças partidárias é até 2 de abril, mas, os partidos consideram que precisam fazer a solicitação até início de março.

Eleições 2022

Márcio Jerry reitera apoio a Brandão e Raimundo Penha reage

Pedetista alegou que o vice governador vai trocar de partido pela terceira vez, o que mais parece falta de consolidação politica ou conveniência.

O presidente estadual do PCdoB, deputado federal licenciado Márcio Jerry, reiterou o apoio do partido ao vice-governador Carlos Brandão na sucessão de Flávio Dino.

Jerry reconheceu como legítima as candidaturas do senador Weverton, assim como do secretário Simplício Araújo, mas manifestou seu ponto vista quanto à melhor escolha política e eleitoral.

Na oportunidade, o vereador de São Luís, Raimundo Penha (PDT), rebateu a afirmação de Márcio Jerry.

Concurso Público

Edilazio cobra de Dino a nomeação de policiais militares no MA

Deputado destacou que o Maranhão aparece com o menor efetivo de policiais do país, com uma média de um policial para 800 habitantes.

O deputado federal Edilazio Júnior (PSD) cobrou do governador Flávio Dino (PSB), por meio de suas redes sociais, a nomeação pelo novos policiais aprovados em concurso público realizados pelo Estado.

Na oportunidade, o parlamentar lembrou os dados recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontam o estado maranhense com a média de um policial militar para cada 800 habitantes.

“Em 2019, parabenizei a ação da OAB em defesa da nomeação dos mais de 1700 soldados aprovados no último concurso da Polícia Militar, uma realidade que infelizmente não mudou. Na verdade, em uma recente pesquisa, o Maranhão aparece com o menor efetivo de policiais do Brasil, com uma média de um policial para 800 habitantes. A luta continua e vou seguir cobrando a nomeação desses guerreiros! Nomeação já!”, publicou Edilazio Júnior.